Editorial | Assembleia de Deus flerta com o discurso de ódio de Bolsonaro


Publicado em 04/05/2019.

Pastor José Wellington Bezerra da Costa Junior e Bolsonaro. Reprodução

A igreja evangélica Assembleia de Deus flerta com as ideias do presidente Jair Bolsonaro, independente de quais sejam, radicais ou não. Um Evangelho estranho à sociedade e àqueles que não comungam dessa fé, confunde e choca, pela agressividade.

A participação do presidente Jair Bolsonaro no 37° Encontro Internacional de Missões dos Gideões, maior evento pentecostal do Brasil, ligado à igreja Assembleia de Deus, em Camboriú (SC), deixou claro o apoio dos assembleianos ao seu governo e ideias. Bolsonaro foi ovacionado e aplaudido várias vezes, durante seu discurso de cerca de dez minutos. O clima foi de grande animosidade com suas palavras.

E esse apoio não é novidade, pois a Assembleia de Deus declarou apoio a Bolsonaro ainda nas eleições. Inclusive com pedido de votos no púlpito da Assembleia de Deus Ministério Belém em São Paulo, feito pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, que presidiu a Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB) por 30 anos. Esse órgão de representação máxima reúne as diferentes denominações assembleianas. Ao sair, o pastor conseguiu eleger seu filho José Wellington Bezerra da Costa Junior para a presidência, garantindo a hegemonia e o domínio do clã, em uma eleição marcada por brigas, processos e interferência judicial.

Pastor José Wellington Bezerra da Costa e Bolsonaro. Reprodução.

Outro pastor assembleiano bem conhecido que apoiou Bolsonaro nas eleições foi Silas Malafaia, com intensa publicação de vídeos nas redes sociais.

Isso é preocupante, pois trata-se da maior denominação evangélica do país, com 12 milhões de membros, e o segundo maior segmento religioso, atrás apenas da igreja católica, segundo o último censo do IBGE (2010).

É a maior seita religiosa evangélica pentecostal apoiando o discurso de ódio e beligerante de Bolsonaro, o que confere a ela grande potencial para maximizar o ataque a homossexuais, o racismo, inclusive o religioso contra religiões de matriz africana, o machismo, a misoginia e a política armamentista, por exemplo.

Mesmo depois de eleito, Bolsonaro ainda prega racismo, machismo e persegue minorias, como fez com os gays recentemente, ao dizer que “o Brasil não pode ser um país de mundo gay, de turismo gay”, mas “quem quiser vir fazer sexo com mulher, fique à vontade”, sugerindo turismo sexual. O presidente também proibiu uma propaganda do Banco do Brasil dirigida ao público jovem, que celebrava a diversidade, com negros e gays.

Sem uma explicação plausível, a igreja que deveria apoiar ideias humanitárias e defender os direitos humanos optou por ser conivente com o discurso de ódio. É a mais nova tradução da Bíblia: “Pegue seu fuzil e siga-me!”

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