Editorial | Deus não está nem aí para a orientação sexual


No Novo Testamento, Jesus, enquanto Deus encarnado, nada disse sobre o tema homossexualidade, mas confirmou uma lei universal e condicional para ir ao céu: Amar o próximo, simplesmente amar.


Publicado em 13/02/2019.

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Reprodução da internet.

A hipérbole dos fundamentalistas religiosos para qualificar a homoafetividade é algo estarrecedor, tamanha seu absurdo lógico, legal, moral e bíblico. Chamar de abominável uma forma legítima de amar, com base em um versículo escrito por Paulo, é algo que foge à razão, mas se agarra ao preconceito, sem nenhuma dúvida. A Bíblia nos mostra o contrário, que Deus não estava nem aí para a orientação sexual das pessoas, mas estava disposto a tudo para ser amigo dos pecadores, até mesmo a morrer por eles.

Legalmente, é um absurdo que o nosso Supremo Tribunal Federal (STF) ainda esteja discutindo se a homofobia é ou não crime, como se isso fosse sequer passível de dúvida, diante de tantos crimes horrendos motivados por puro preconceito à orientação sexual que não é heteronormativa. O Brasil é um dos países onde mais gays, trans e lésbicas são assassinadas no mundo. Mesmo assim homofobia e transfobia ainda não são consideradas crimes aqui.

Do ponto de vista religioso, com ênfase para o cristianismo, ainda que fosse um tipo de pecado, não seria menos abominável do que qualquer outro desvio moral, como olhar uma mulher na rua e desejá-la, ou odiar alguém por qualquer motivo.

Nas palavras de Jesus:

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.
Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.”

(Mateus 5:27,28)

Ou nas palavras do apóstolo João:

“Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo.”

(1 João 3:15)

Isso se torna mais claro ao analisarmos as categorias de pecado, já que o único pecado sem perdão, segundo Jesus (não Paulo), é o pecado contra o Espírito Santo. De resto, somos todos abomináveis, como os “mais puros” gostam de chamar nossos irmãos gays, já que não há ninguém que vá morrer santo. Até a ofensa direta a Jesus é perdoável:

“Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.”

(Lucas 12:10)

Voltando à questão da razão e da lógica, Deus não está muito aí para a opção sexual de seu ninguém. Isso é um fato, não uma hermenêutica, tampouco uma exegese.

Aristóteles disse que não devemos dar às coisas mais importância do que elas merecem.

Em 66 livros, Deus escreveu uma linha sobre relação homoafetiva, no Antigo Testamento, junto com outras ordenanças que hoje seriam um grande absurdo:

“Obedeçam aos meus decretos e pratiquem-nos. Eu sou o Senhor que os santifica.

Se alguém amaldiçoar seu pai ou sua mãe, terá que ser executado. Por ter amaldiçoado o seu pai ou a sua mãe, merece a morte.

Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem, com a mulher do seu próximo, tanto o adúltero quanto a adúltera terão que ser executados.

Se um homem se deitar com a mulher do seu pai, desonrou seu pai. Tanto o homem quanto a mulher terão que ser executados, pois merecem a morte.

Se um homem se deitar com a sua nora, ambos terão que ser executados. O que fizeram é depravação; merecem a morte.

Se um homem se deitar com outro homem como quem se deita com uma mulher, ambos praticaram um ato repugnante. Terão que ser executados, pois merecem a morte.

Se um homem tomar uma mulher e a mãe dela, comete perversidade. Tanto ele quanto elas serão queimados com fogo, para que não haja perversidade entre vocês.

Se um homem tiver relações sexuais com um animal, terá que ser executado, e vocês matarão também o animal.

Se uma mulher se aproximar de algum animal para ajuntar-se com ele, vocês matarão a mulher e o animal. Ambos terão que ser executados, pois merecem a morte.

Se um homem tomar por mulher sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e se envolver sexualmente com ela, pratica um ato vergonhoso. Serão eliminados à vista de todo o povo. Desonrou sua irmã e sofrerá as conseqüências da sua iniquidade.

Se um homem se deitar com uma mulher durante a menstruação e com ela se envolver sexualmente, ambos serão eliminados do meio do seu povo, pois expuseram o sangramento dela.

Não se envolva sexualmente com a irmã de sua mãe, nem com a irmã de seu pai; pois quem se envolver sexualmente com uma parenta próxima sofrerá as conseqüências da sua iniquidade.

Se um homem se deitar com a mulher do seu tio, desonrou seu tio. Eles sofrerão as conseqüências do seu pecado; morrerão sem filhos.

Se um homem tomar por mulher a mulher do seu irmão, comete impureza; desonrou seu irmão. Ficarão sem filhos.

Obedeçam a todos os meus decretos e leis e pratiquem-nos, para que a terra para onde os estou levando para habitarem não os vomite.”

(Levítico 20:8-22)

Por essas e por outras, não somos veterotestamentários, graças a Jesus Cristo, pois ninguém conseguiu nem conseguiria cumprir todas as ordenanças descritas ali.

No Novo Testamento, Jesus, enquanto Deus encarnado, nada disse sobre o tema homossexualidade, mas confirmou uma lei universal e condicional para ir ao céu: Amar o próximo, simplesmente amar.

Logo, Deus de fato não deu e nem dá muito importância para a orientação amorosa dos humanos. Ou Deus é menos sábio do que foi Aristóteles.

Contudo, os líderes das principais igrejas evangélicas, como o pastor Silas Malafaia, fazem campanha ferrenha contra a criminalização da homofobia, sob a desculpa de que as igrejas possuem o direito constitucional de praticarem a homofobia religiosa sem serem punidas. Tal pressuposto é inadmissível e não encontra mais qualquer tipo de respaldo minimamente racional, legal, religioso ou lógico. A homofobia religiosa é cruel e contrária aos mandamentos máximos dos cristãos, amar a Deus e o próximo.

A Bancada Evangélica também atua para manter o direito das igrejas serem homofóbicas, pois é composta por muitos parlamentares eleitos com o apoio delas.

Por fim, tentar encontrar na Bíblia uma hermenêutica para condenar homossexuais é procurar pelo em ovo. Ou homofobia mesmo, nesse caso, a religiosa. Um preconceito religioso que só é possível em mentes de homens ultrarreacionários, que colocam o ódio ao diferente acima do amor de Deus e conseguem chegar ao absurdo de demonizar uma forma legítima de amor, ainda que isso implique em ir contra a Bíblia, contra o próprio Deus, contra a razão, contra a lógica, contra a lei, contra a boa religião, contra tudo e contra todos.

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Um comentário

  1. Então, por que Paulo diz em 1 Coríntios 6:10 que “nem os efeminados” entrarão no Reino dos Céus?

    Creio que existe uma diferença bem grande entre amar ao próximo e concordar com tudo o que o próximo faz; o que a Bíblia diz é que devemos tratar os seres humanos como irmãos independentemente do que eles façam, mas não há nenhum lugar nela que endosse concordar com as ações dos seres humanos em geral.

    Pelo contrário, a Bíblia convida a uma vida de temperança, evitando “a aparência do mal” (1 Tessalonicenses 5:22)

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