Opinião | “Tpm” de homem sofre da mesma ridicularização que a de mulher


“A sociedade criou o mito de que o homem não tem nenhum problema de fábrica, até para colocá-lo como superior à mulher, o que não é verdade.”


Por Osmar Carvalho. Publicado em 13/12/2018.

Osmar Carvalho. Foto própria editada.

Desde que comecei a escrever abertamente sobre as “tpms” de homem, suas neuras bio-psico-sociais, experimentei reações contrárias de algumas mulheres, no sentido de ridicularizar e duvidar do que estava sendo relatado. Tal comportamento se assemelha ao de homens machistas em relação ao lugar de fala das mulheres.

Foi assim quando falei que homem também finge orgasmo, em determinadas situações, quando falei da opressão que sofremos em relação a usar vestes que minimizassem o calor no trabalho, como bermuda e camiseta regata, chegando ao cúmulo da marginalização, quando falei da impossibilidade do homem controlar seu pênis, que pode ficar ereto a um simples toque em uma mulher no metrô, por exemplo, e ser confundido com um tarado, que pênis duro não é sinônimo de tesão e quando falei de relacionamentos abusivos que homens também vivem, com mulheres que se acham nossa mãe, querendo determinar desde o que vestimos até nosso corte de cabelo.

Temos nossas neuras químicas e sociais também.

O fato é que a sociedade criou o mito de que o homem não tem nenhum problema de fábrica, até para colocá-lo como superior a mulher, o que não é verdade. Pagamos o preço por essa cultura machista também, e isso muitas vezes resulta numa incompreensão do homem quando esse resolve falar abertamente de seus perrengues existenciais.

Reações como essas são comum (experiências próprias mostram isso), “está reclamando de barriga cheia”, “não sabe o que é dor”, “coitadismo hipócrita”, quando na verdade também fomos calados e violentados pelo machismo em muitas coisas. O corpo negro que o diga, com sua hipersensualização. Podemos citar, ainda, a efeminofobia, termo pouco conhecido mas que pode ser resumido como o ódio às características femininas transferido para os homens, quando esses têm traços ou modos mais delicados. A cultura machista condena rigorosamente o homem afeminado, principalmente nas igrejas, seja ele gay ou não.

As neuras masculinas parecem ser um tabu ainda também, basta dizer “lugar de fala do homem”, o termo soa estranho, agressivo, irônico. Mas existe nosso lugar de fala.

Assim como as mulheres, eu, como homem, quero falar dos meus problemas de homem, sem ser ridicularizado e sem ser visto com estereótipos.

As mulheres podem ajudar, começando pelo respeito e compreensão do nosso lugar de fala.


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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