16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres


Campanha pelo fim da violência contra as mulheres começa hoje e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.


Publicado em 25/11/2018.

Mulheres protestam contra a violência de gênero, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ativismo Protestante.

Inicia-se hoje a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, uma mobilização de vários países com o objetivo de denunciar a violência de gênero, aquela cometida contra a mulher por ser mulher.

As ações visam também sensibilizar governos, empresas, universidades, escolas e sociedade civil, em solidariedade às vítimas, às ativistas, aos movimentos de mulheres e às defensoras dos direitos humanos das mulheres, e contra a violência cometida contra mulheres e meninas no mundo todo.

Violência de gênero é “pandemia mundial”

Segundo a pesquisa “Mulheres, empresas e a lei”, realizada pelo Banco Mundial, em 2017, uma a cada três mulheres já foi vítima de violência motivada por gênero. Tal panorama levou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) António Guterres a considerar o problema uma “pandemia mundial”.

Segundo o 12° Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2018, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 221.238 casos de lesão corporal dolosa enquadrados na Lei Maria da Penha, 606 por dia.

Estupros

Foram contabilizados 60.018 estupros em 2017, 164 por dia, um aumento de 8,4% em relação a 2016.

Feminicídio

Ato em São Paulo contra a morte da vereadora Mariele Franco. Foto: Ativismo Protestante.

Em 2017 houve 4.539 homicídios de mulheres, representando um aumento de 6,1% em relação ao ano anterior. Desse total, 1.133 foram registrados como feminicídios.

Violência doméstica

Em um ano (2017), 193 mil mulheres registraram queixa por violência doméstica, de um total de 221 mil casos. Por dia, 530 mulheres acionam a Lei Maria da Penha.

Outras formas de violência

A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica.

A violência física é a forma mais comum de violência contra a mulher no mundo, inclusive dentro de casa, com relações abusivas que vão de espancamentos a relações sexuais forçadas, o estupro marital, cometido pelo próprio cônjuge ou parceiro.

Mas há outras formas, menos comentadas, porém tão cruéis quanto as citadas, denunciadas pela ONU, como o tráfico de mulheres, a mutilação genital feminina, o assassinato por causa de dote, o “homicídio por honra”, a violência sexual nos conflitos armados, etc.

Origem da Campanha

Fonte: Agência Senado

Sefundo a ONU Mulheres, os 16 dias de ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), deram início a uma campanha com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.

No Brasil, a Campanha acontece desde 2003 e é chamada 16+5 Dias de Ativismo, pois incorporou o Dia da Consciência Negra. A mobilização termina em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Cerca de 150 países participam da campanha no mundo inteiro.

A data de início da Campanha coincide com o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, que é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas” assassinadas em 1960 por se oporem ao governo do ditador Rafael Trujillo, que presidiu a República Dominicana de 1930 a 1961.

As irmãs Mirabal. Reprodução.  

A ONU Brasil divulgou um calendário de atividades para esses 16 dias de luta e reflexão. (Clique aqui para ler)

E as igrejas evangélicas?

Mulheres evangélicas participam de ato contra Bolsonaro em São Paulo. Foto: Ativismo Protestante.

Enfim, é um bom momento para as igrejas evangélicas levantarem a bandeira contra o fim da violência e da desigualdade de gênero, promovendo ações positivas em seus cultos, escolas dominicais. Eventos para debater e refletir sobre essa problemática também são necessários, já que muitas dessas mulheres vítimas de violência doméstica são evangélicas.

As igrejas evangélicas não podem silenciar nem ficar indiferentes diante desses números gritantes, já que têm sua parcela de responsabilidade enquanto organização religiosa e social.

É dever delas tomarem parte nessa luta também, conscientizando seus membros, principalmente os homens.

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