Opinião | Conceito de totalização e alienação religiosa em Marx e Engels


“A religião é o ópio do povo.” (Karl Marx)


Por Osmar Carvalho. Publicado em 08/11/2018.

Karl Marx. Reprodução.

Uma afirmação contundente de Friedrich Engels, parceiro da vida intelectual de Marx, diz que “a verdade é o todo”. Ou seja, a atividade humana, ou desenvolvimento social, são totalizantes, e o todo é o produto final, nunca acabado, dessa totalização, que está em constante mudança, como um processo dialético. A isso corresponde a ideia de totalidade – um momento do processo de totalização, que pode ser menos abrangente, como a social e econômica, ou mais abrangente, como a filosófica -, quase sempre negada pela religião cristã.

Aplicando esse conceito a uma análise socioeconômica do capitalismo, por exemplo, podemos perceber como a igreja age como ideologia em favor da classe dominante burguesa, negando o todo, ao afirmar que Deus fez o rico e o pobre, como se isso fosse uma realidade sagrada, não o resultado de um modelo econômico baseado na exploração da mão-de-obra.

Primeiro, precisamos lembrar que é esse o papel da ideologia, negar, ocultar ou distorcer a realidade, para manter o status quo de uma casta e seus privilégios. Segundo, lembremos que a igreja cristã cumpriu o papel de ideologia em favor dos poderosos de diversas épocas da história.

Voltando ao problema do rico e do pobre, as igrejas, principalmente as evangélicas, distorcem e negam a realidade do todo, pintando um quadro enganoso onde os dois são vistos como benção de Deus. As variações dessa obra-prima da persuasão são muitas, inclusive com citações bíblicas, mas a pior é aquela que coloca o rico que faz caridades como uma pessoa boa, virtuosa e agradável, digna de toda a admiração. Tal representação fictícia ignora o fato de que o luxo e a riqueza de alguns ricos sao oriundos da exploração da maioria trabalhadora, o que Marx chamou de “mais-valia”, o trabalho não pago e que constitui o lucro dos empresários e a riqueza da burguesia.

Um dos principais problemas dessa alienação religiosa da realidade, notadamente a cristã, além de tomar a parte como um todo, é exaltar uma verdade limitada, que passa a ser uma mentira, como no caso acima, pois esconde a verdade mais ampla. No caso da religião é ainda pior: atribui-se a uma figura imaginária toda a culpa (ou razão) pelas desigualdades sociais.

Daí a famosa afirmação de Marx: “A religião é o ópio do povo.”


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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