Hermes Fernandes: A igreja está criando um monstro


“A minha maior preocupação hoje, primeiro, é com o futuro do país, porque nós vamos entregar sua direção a um homem com discurso fascista” – disse Hermes Fernandes.


Publicado em 06/11/2018.

Pastor Hermes C. Fernandes. Reprodução.

Em um vídeo publicado no Facebook (24/10) poucos dias antes das eleições, o pastor Hermes C. Fernandes fez duras críticas ao apoio de pastores e igrejas evangélicas ao então candidato de extrema-direita à presidência da República pelo PSL Jair Bolsonaro, agora eleito com mais de 57 milhões de votos, derrotando seu adversário Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.

Hermes disse que “prefere passar quatro anos gritando contra Haddad a passar quatro anos sem poder gritar”, em alusão às inclinações militares e saudosistas da ditadura civil-militar de Bolsonaro, que já elogiou o coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra na Câmara dos Deputados e diz ser favorável à tortura. Segundo Bolsonaro, a ditadura “foi branda” e seu erro foi torturar e não matar os opositores do regime à época.

Para o pastor, Bolsonaro conseguiu multiplicar seus 8 segundos de propaganda na TV, com a ajuda das igrejas evangélicas e de pastores:

“Bolsonaro tinha 8 segundos na TV, mas ele tinha horas e mais horas em boa parte dos púlpitos das igrejas em todo o Brasil. As igrejas evangélicas praticamente viraram comitês eleitorais do Bolsonaro. Os pastores passaram a ser cabos eleitorais dele. A ponto de dedicarem vários cultos a convenceram seu rebanho a votarem em um homem cujo discurso é completamente contrário ao espírito do evangelho.”

Hermes compara tal estratégia a utilizada por Adolf Hitler:

“O que mais me assusta é que eu Já vi esse filme antes. Hitler também conquistou a grande maioria do eleitorado alemão através das igrejas. Foram pastores e padres que se dedicaram a elegê-lo, usando o mesmo ‘slogan’ de Bolsonaro. Enquanto Bolsonaro diz ‘Brasil acima de tudo’, Hitler dizia ‘Alemanha acima de tudo’. E veja no que deu.”

O pastor alerta para o perigo de entregar o país nas mãos de alguém com um discurso fascista:

“Você, pastor, pode ter ajudado a criar um monstro. A minha maior preocupação hoje, primeiro, é com o futuro do país, porque nós vamos entregar sua direção a um homem com discurso fascista, contra as minorias, contra direitos trabalhistas, contra a mulher, contra os homossexuais, os negros. Percebem o perigo disso?

A segundo coisa que me mais me preocupa é a credibilidade da igreja. Como é que você vai chegar em em um presídio hoje para anunciar o evangelho, quando você defende uma candidatura que diz que ‘bandido bom é bandido morto’? Como levar Jesus ao homossexual, se você é contrário aos direitos dele?

Nós estamos vacinando o mundo contra o evangelho. Vocês têm ideia de quantas pessoas me procuraram ‘in box’, nas redes sociais, dizendo ‘nunca mais coloco os meus pés dentro de uma igreja evangélica, eu não podia imaginar que a igreja se alinhasse a um discurso tão retrógrado, tão odioso’?”

Para Hermes, a igreja muda de postura por interesses de poder:

“A igreja insiste em se alinhar ao poder. Os grandes caciques do mundo evangélico, como o senhor Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Edir Macedo, o Rina lá da Bola de Neve, uma igreja que parece tão descolada, o Estevam Hernandes, a bispa Sônia, o Valdemiro Santiago e tantos outros, querem estar próximos do poder.

Muitos deles estiveram próximos do Lula, e hoje sobem ao púlpito para dizer que ele é um comunista, que quer implantar aqui uma ditadura. Interessante que, em 13 anos de governo PT, as igrejas só fizeram crescer, nenhuma foi perseguida. Pelo contrário, foram mantidas isentas de imposto.”

Assista ao vídeo completo abaixo.

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Um comentário

  1. Muito bem analisado o momento histórico em que vivemos pelo pastor Hermes. O discurso do Bolsonaro é o discurso de ódio contrário ao evangelho de Jesus Cristo, o que mais assusta é que o contrario de Cristo é o anticristo. Esse movimento de ódio está sendo mundial, como o que está acontecendo na Europa contra os imigrantes por fome ou guerra no caso afro-asiáticos, bem como acontecerá com os centro americanos que tentarão invadir os Estados Unidos. O anticristianismo talvez não seja um homem, mas vários posicionamentos contrário ao evangelho de amor e compreensão de Jesus.

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