Opinião | A guerra de Witzel trará mortes e terror ao Brasil


“Não tem como plantar ódio e colher vida, o brasileiro vai entender isso.”


Por Heber Farias. Publicado em 02/11/2018.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Reprodução.

“Tem que matar uns 30 mil… Se morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente” — Jair Bolsonaro em entrevista de 1999.

Pois é, passaram-se anos e a mentalidade não mudou. O recém eleito governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) já declarou “guerra” ao narcotráfico. Mas as estratégias desse enfrentamento não são nada inovadoras, o governador investirá no confronto armado. Witzel já está procurando atiradores de elite para matar bandidos com fuzil.

O brasileiro cristão elegeu a lógica do “bandido bom é bandido morto” nessas eleições, mas essa insanidade não passou por algumas perguntas críticas de análise. O cidadão acha mesmo que matar bandido diminui a violência?!

Veja bem, o ano era 2006 e uma guerra entre a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e o estado de São Paulo tomaram as ruas. Terror, pânico, notícias de mortes em disparada, ruas esvaziadas, foi um dos enfrentamentos mais sangrentos do crime organizado.

Resultado? 128 mortes, entre elas 4 civis, 32 policiais, 8 agentes penitenciários, 71 suspeitos e 13 presos.

Mudou alguma coisa no crime organizado de São Paulo?

Não! O tráfico continuou se expandindo.

Mudou alguma coisa entre a politica de enfrentamento armado do estado em relação às drogas?

Não também. As vítimas dessa guerra insana continua.

Pois bem, imagine que você é um empresário e percebe que está apostando em uma lógica que vai levar sua empresa à falência e mais que isso, vai matar seus funcionários e clientes. Você dobraria a aposta nessa lógica?!

Pois é nisso que Witzel está apostando, e volto a dizer, foi nisso que o Rio de Janeiro apostou.

Por que?

Em uma roda de conversa, o pastor Felippe dos Anjos me contou sobre uma lógica teológica fundamentalista do sacrifício. Técnicamente, esse comportamento se encerraria na ressureição de Cristo, porém na lógica fundamentalista a CRUZ continua sendo um meio de se resolver situações sacrificando pessoas para “limpar” a sociedade, por isso as igrejas passariam um pano para essa situação, em que o estado para além de se tornar assassino, vai também promover a morte dos inocentes que estarão no meio do combate.

Para essas pessoas, é “normal” algumas crianças negras dos morros do Rio de Janeiro morrerem com balas perdidas, dentro ou próximas de suas escolas. O que não pode é mudar a política nacional de drogas, e não pode porque precisam conservar a família e os bons costumes. Se algumas famílias irão morrer assassinadas nesse movimento, fazer o que, tudo tem um preço.

Mas o demônio, a potestade maligna, ou o anjo da morte, há de rodear mais que as periferias. A história mostra que guerra direta com o tráfico pode levar o terror para além das contingências periféricas; 2006 foi assim.

Afirmo que o preço a pagar pode ser muito mais caro do que se imagina.

Ainda há tempo para se arrepender, diria o profeta João. Claro que ele também chamaria essas pessoas de assassinas, raça de víboras, corruptas e imorais. Mas quantos Joãos ou Freixos não estão há anos falando isso?

Não tem como plantar ódio e colher vida, o brasileiro vai entender isso.


Sobre o autor desse artigo

Heber Farias é estudante de psicologia, ativista político e membro da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo.

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