Opinião | Obrigado, Lula, por ter nos agraciado com o professor Haddad e com a mulher Manuela


“Obrigado, Lula, Manu e Haddad, por terem nos mostrado que estamos do lado certo.”


Por Osmar Carvalho. Publicado em 29/10/2018.

Manuela D’Ávila e Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert.

Temos que reconhecer: Lula foi genial ao escolher Fernando Haddad e Manuela D’Ávila como presidenciáveis. A escolha não foi fácil, pois havia grandes nomes na lista, como Ciro Gomes e Jaques Wagner. Escolher os dois foi ousado e certeiro.

Um cara novo, questionado politicamente, por ter perdido a prefeitura de São Paulo para a ingratidão dos paulistas e paulistanos, que pouco se lixaram para vidas salvas no trânsito. O que importa para eles é “acelera São Paulo”. Vai morrer algum inocente? Tanto faz!

Gigante, cresceu de 4% para 44%. Quando atacado por Ciro, não retaliou nem ofendeu, foi exemplo de educação e diplomacia. Prevaleceu a postura de professor. Caluniado por um vendaval inédito de fake news, espalhou verdades. Ameaçado de morte por Bolsonaro, desejou a vida.

Vigoroso, foi aos lugares mais longínquos do país, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Andou pela Rocinha e por Heliópolis. Não deixou ninguém de lado. Enquanto isso, o escolhido pelo povo, Bolsonaro, postava no Facebook e tuitava horrores.

Em tudo Haddad foi exemplo. Campanha limpa. Foi a todos debates e sabatinas para os quais foi chamado. Não se escondeu, como fez seu adversário. Submeteu-se ao escrutínio dos jornalistas e ao rigor da opinião pública. Debateu suas ideias de governo, voltou atrás, incorporou outras ideias de aliados. Reconheceu erros dos governos PT, fez autocríticas, tão cobradas por todos. Exigiu justiça para os companheiros de luta e de partido que erraram. Não acobertou ninguém.

Mesmo derrotado, saiu vitorioso. Venceu por larga vantagem em todos estados do Nordeste. Dos eleitores aptos a votar, 21,30% não votaram, pouco mais de 31 milhões de votos. Dos que votaram, 9,57% anularam ou votaram em branco, cerca de 11 milhões de votos.

Somados, são 28,83% do eleitorado que não escolheram nenhum candidato, 42 milhões de votos. Quase a votação que Haddad obteve.

Essas pessoas poderiam ter mudado o resultado das eleições presidenciais.

Apesar da derrota numérica, Haddad venceu em mais cidades do que Bolsonaro. O petista saiu vitorioso em 2.810 municípios, contra 2.760 de Bolsonaro.

Os 47 milhões de votos obtidos qualificam e legitimam Fernando Haddad como um novo grande líder da esquerda, indubitavelmente.

Ao final de tudo, foi abandonado por Ciro, a quem, de forma sincera e carinhosa, chamou de amigo. Recebeu apoio inesperado de outra amiga, Marina Silva.

E o que dizer de Manuela D’Ávila? Menina mulher, mãe, progressista… carinhosamente chamada de Manu. Enfrentou um exército machista e raivoso de eleitores de Bolsonaro, que a atacaram com todo tipo de calúnia, das mais vis e torpes. Cativou e mobilizou milhares de jovens, com seu jeito meigo de falar e ser, mas convicta, enérgica e sábia. Viajou Brasil afora com a pequena Laura nos braços, sua filha. Foi cuidada pelos militantes.

Manuela D’Ávila. Foto: Carol Carminha.

A sintonia de Haddad e Manu era sincera, não uma mera formalidade ou convenção. Ela reconheceu o lado compreensivo de Haddad, que a reconheceu como uma grande mulher. Em momento algum discordaram publicamente, como aconteceu com o general Mourão, que precisou ouvir uns “cala-boca” do seu superior. Sem contar as falas racistas, machistas e preconceituosas do militar, que chocaram pela agressividade escancarada e naturalizada.

Enfim, a dupla Haddad e Manu, mesmo sem ter sido, deixaram saudades. Trocaram o saber e a educação do professor democrata pelo militarismo doentio, sanguinário e preconceituoso. Trocaram a sensibilidade e a coragem da jovem deputada progressista pelo coturno escuro machista, macho, branco, velho, arcaico e sem graça.

Venceu o ódio. Já há vítimas fatais e barbárie pelas ruas do país. Negros, gays e mulheres foram os primeiros, como era previsto, após tantas falas preconceituosas contra essas minorias, por parte de Bolsonaro e seu vice. E ainda nem começou.

A democracia sucumbe.

Obrigado, Lula, Manu e Haddad, por terem nos mostrado que estamos do lado certo.


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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