Opinião | Carta à juventude cristã


“É notório perceber a incompatibilidade de uma vida baseada na Bíblia com uma vida passiva e alheia às circunstâncias equivocadas do cotidiano humano.”


Por Marcos Vinicius. Publicado em 25/10/2018.

Marcos Vinicius. Foto própria editada.

Eu nunca saberei o que significa a dor do parto literalmente. No entanto, eu sinto nascer algo que está sendo gerado dentro de mim há meses. Pois bem, eu quero falar com você que lê essa carta sobre um tema caro, complexo, no entanto fácil de ser entendido: Política e seus desdobramentos, na religião, espiritualidade e cidadania.

É necessário abordar alguns conceitos antes de continuar esta carta.

Primeiro. Há anos deixei de ser militante em movimento social, sindical, estudantil e negro. Por motivos de saúde e,posteriormente, por escolha particular.

Segundo. A mentalidade reducionista: “política é escândalos de corrupção”, ou “apenas eleições periódicas” e/ou “confusões”, é fruto da pouca participação cidadã e fomento do analfabetismo político. Política é o equilíbrio do bem viver e bem comum.

Terceiro. Religião é diferente de espiritualidade. Ao menos ao meu ponto de vista e vivência. Religião cria dogmas e regras, a espiritualidade liberta e traz um estilo de bem viver.

Dito isso, prossigo com esta carta à juventude cristã, parcela etária que componho. Agora em um ambiente menos hostil.

Minha adolescência e início da vida adulta foi marcada pela política, como participante ou co-realizador de conferências, seminários, congressos, calouradas, eventos, passeatas, manifestações, protestos, caminhadas, audiências públicas, palestras e outras atividades, que me forjaram uma mentalidade: Perceber, analisar, conjecturar, definir conjunturas e contextualizar as nossas vidas social, econômica e política.

Meus últimos anos de mocidade tive e estou me saboreando com a mentalidade da fé cristã. Fizeram-me conhecer o jovem da periferia semirural Jesus de Nazaré, o advogado de prostituta, filho do Deus ágape.

Por consequência do conhecimento de Jesus de Nazaré, também conheci as vivências do Jovem Daniel e seu protagonismo em defesa do que acreditava enfrentando as imposições do império genocida de sua época; da jovem Ester, a jovem rainha que, diante de uma guerra, quebrou protocolos e se posicionou a favor de seu povo.

Diante essas referências, é notório perceber a incompatibilidade de uma vida baseada na Bíblia com uma vida passiva e alheia às circunstâncias equivocadas do cotidiano humano. Passividade cidadã é, portanto, desconexa do evangelho genuíno. Ser jovem cristão e cristã é sim imitar Daniel, Ester e Jesus de Nazaré. Imitar a habilidade política de conciliação e diálogo que a Rainha Ester dominava.

Estamos vivendo tempos complexos, e cabe a nós estabelecer o reinado da justiça e amor, através de nossas atitudes cotidianas, em todos os espaços de relacionamento diário. Cabe a nós a participação direta e/ou indireta na política, acima de tudo, exercendo cidadania de maneira digna do evangelho de cristo, para que assim a verdadeira paz seja estabelecida. Essa é a hora do propósito de nossa juventude ser exercida, pois todas as vidas importam.


Sobre o autor desse artigo

Marcos Vinicius Vieira Reis, o Marcolino, servo do nazareno, filho do Abba, herdeiro do amor ágape. Estudante de História na Universidade de Santa Cruz, e de Gestão Pública na Universidade Salvador. De Ilhéus, Bahia.

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