Editorial | Crescimento evangélico nos governos petistas desfaz falácias de perseguição moralista


A moralização religiosa da política é a tônica que conduz os 60% de evangélicos favoráveis a Bolsonaro até as urnas, além da perseguição às minorias, como direitos dos LGBTI+. Essa radicalismo religioso atrapalha a conscientização política desses eleitores em questões essenciais para o país, como economia, educação, segurança pública e saúde.


Publicado em 22/10/2018.

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Lula participa de inauguração do canal Record News, em 2007. Reprodução de vídeo do Youtube.

Segundo o IBGE, entre 2000 e 2010, o total de evangélicos no Brasil cresceu, passando de 26,2 milhões para 42,3 milhões em 2010, um aumento de 61,45%. Em relação à população, o aumento foi de 15,5% para 22,2%. Esses números mostram um cenário social e político favorável às igrejas evangélicas, ao contrário do que dizem as lideranças midiáticas evangélicas, como o pastor Silas Malafaia, o ex-senador Magno Malta e o deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP), que agora demonizam o ex-presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e toda a esquerda política, que eles chamam de “esquerdopatas”, e os colocam como inimigos de Deus, das igrejas e da família tradicional. Alguns deles estiveram ao lado de Lula, de Dilma Rousseff e do PT em seus governos, como o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal.

Os evangélicos cresceram em média 6,14% ao ano, entre os anos 2000 e 2010. O período do crescimento desse segmento religioso coincide com os anos de governo do presidente petista Lula, que governou o país de 2003 (eleito pela primeira vez em 2002) a 2010 (reeleito em 2006), pondo fim aos oito anos do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, a tese de lideranças evangélicas de que o PT quer atacar, destruir e acabar com a família evangélica é uma grande fake news religiosa, ou uma grande mentira, se preferirem.

Essas falácias não foram inventadas à toa, mas com um propósito claro: induzir essa grande massa evangélica a votar em um candidato, no caso Jair Bolsonaro (PSL), de extrema-direita. Os motivos são obscuros, pois são forjados em enganos, como preservação da moral religiosa evangélica, algo que nunca foi atacado pelos governos petistas, a invenção de um “kit gay”, criada pela bancada evangélica contra o então ministro da Cultura e atual concorrente de Bolsonaro à Presidência da República, o petista Fernando Haddad, e a “ideologia de gênero”, outra mentira inventada por alguns evangélicos e setores conservadores da sociedade, para marginalizar os estudos de gênero.

A moralização religiosa da política é a tônica que conduz os 60% de evangélicos favoráveis a Bolsonaro até as urnas, além da perseguição às minorias, como direitos dos LGBTI+. Essa radicalismo religioso atrapalha a conscientização política desses eleitores em questões essenciais para o país, como economia, educação, segurança pública e saúde. Os planos de governo são deixados de lado, em prol de uma fé cega e um voto quase irracional.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o líder da Igreja Internacional da Graça, pastor RR Soares, deixou bem claro essa motivação religiosa fundamentalista com a política, ao declarar o motivo de seu voto em Bolsonaro: contra a falsa ideologia de gênero:

“Eu analisei os projetos e achei o dele [Jair Bolsonaro] o melhor, principalmente no caso da ideologia de gênero. Estão tentando convencer meninos que podem ser meninas, ou meninas que podem ser meninos. Isso é uma loucura. A natureza já reservou, por ordem de Deus, quem é que será.”

Vídeo

Esse visão medíocre, fantasiosa e mentirosa da política é a mesma do pastor Silas Malafaia, ferrenho cabo eleitoral de Bolsonaro nas redes sociais, com alguns adendos mentirosos, como a invenção de que a mídia é esquerdopata, o velho mito de que a esquerda quer transformar o Brasil em uma Cuba e de que ela destruiu o país:

“Ele [Bolsonaro] é a favor dos valores de família. Ele é contra essa bandidagem de erotizar crianças em escola, que toda a esquerda quer. Se queremos vir uma nação melhor, um homem temente a Deus e que tem liderança, que não tem medo dessa imprensa esquerdopata, vergonhosa, não vamos deixar o Brasil virar uma Venezuela, uma Cuba. Vamos dar um basta em toda essa esquerda que destruiu o Brasil, que quer destruir valores morais e de família.”

Vídeo

Importante também ressaltar que as igrejas evangélicas nunca pagaram impostos nos governos petistas, avançaram em programas de televisão e construíram inúmeros templos pelo país. A cidade de São Paulo é um exemplo desse crescimento, com templos megalomaníacos por todos os lados. Como presidente, Lula participou e discursou na inauguração do canal Record News, da Igreja Universal, em 2007.

O próximo censo sairá em 2020. Veremos o que acontece com o crescimento evangélico nesse ínterim intercensitário. A boa notícia é que 40% dos evangélicos permanecem sóbrios em suas posições políticas, não se deixaram levar por toda essa mentira espalhada por Malafaia e companhia gospel. Desses, 25% votarão em Haddad. Os dados são da pesquisa Datafolha publicada no último dia 10 de outubro.

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