Opinião | Não é a hora de deixarmos o movimento evangélico


“É desconcertante o fato de tanto igrejas pentecostais quanto protestantes históricas terem embarcado em uma campanha pró-Bolsonaro. No entanto, não é a hora de deixarmos o movimento evangélico.”


Por Johnny Bernardo. Publicado em 16/10/2018.

Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Belém exibe vídeo de Bolsonaro, durante culto em São Paulo. Reprodução de vídeo.

Por mais que estejamos indignados com o apoio de igrejas evangélicas (pentecostais, em sua maioria) ao candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), não devemos deixar o movimento evangélico. Tudo parece mostrar que, no próximo dia 28, o capitão da reserva será eleito presidente do Brasil, e entraremos em uma nova “idade média”, cuja mistura de militarismo com conservadorismo trará inúmeros danos às conquistas sociais e progressistas alcançadas nos últimos 30 anos.

É desconcertante o fato de tanto igrejas pentecostais quanto protestantes históricas terem embarcado em uma campanha pró-Bolsonaro. É nas igrejas protestantes históricas que encontramos um maior número de progressistas, e não apenas membros, mas também líderes eclesiais. Pautas como igualdade entre os gêneros, sustentabilidade e democracia racial têm maior espaço nesse nicho. Daí porque é difícil de entender que parte desse segmento apoie as pautas destrutivas do Bolsonaro.

No entanto, não é a hora de deixarmos o movimento evangélico. Até porque não é a totalidade de evangélicos que apoiam Bolsonaro, como vemos em recentes pesquisas eleitorais. Pelo menos 40% dos mais de 50 milhões de evangélicos apoiam Fernando Haddad (PT) e suas pautas sociais. Obviamente, nesse meio encontramos pessoas que foram beneficiadas com os programas sociais e educacionais dos governos petistas, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, cotas raciais, ProUni, Pronatec, além de inúmeros outros programas que alcançaram principalmente famílias pentecostais pobres.

Temos que nos preparar para um possível governo Bolsonaro

Diante da possibilidade da eleição de Bolsonaro à Presidência, devemos dar continuidade ao trabalho de convencimento de evangélicos sobre pautas progressistas. O apoio de 40% de evangélicos ao projeto de Haddad é um dos motivos pelo qual devemos dar continuidade ao nosso trabalho, inclusive ampliando o alcance de nossas ações. Até então quase que restritos ao universo virtual, é a hora de desenvolvemos um trabalho de base, com reuniões de estudo e identificação de evangélicos que possam aderir à causa progressista. Trata-se de um trabalho de formiguinha, mas necessário.

Temos que organizar palestras, seminários, ocupar cada vez mais os meios de comunicação comunitários, desenvolver jornais, panfletos e livros. Um trabalho que poderíamos tomar como modelo é o desenvolvido pela ONG Diaconia. Com base em Recife, a Diaconia atua na área de segurança alimentar e hídrica, meio ambiente e clima, justiça de gênero e direitos da juventude. A revista bíblica “Mulheres e Coragem”, de autoria da psicopedagoga Roseane Pontes, é usada em aulas da EBD e tem como objetivo trabalhar com a temática “igualdade entre homens e mulheres” e é voltada ao público infantil. É uma ótima fonte de informações e base de ação.

Também poderíamos organizar grupos de estudo com base no livro “Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro”, organizado por Wanderley Pereira Rosa e José Adriano Filho. O livro é uma ótima base para introduzirmos evangélicos no universo progressista, e realizarmos algo semelhante ao desenvolvido pelas igrejas em células: formar grupos pequenos de estudo, desenvolver líderes, e estes formarem outros grupos. Assim poderíamos alcançar um número maior de evangélicos, principalmente pentecostais. Não é um trabalho de todo fácil, mas possível.

Ao mesmo tempo, temos que identificar, dentro dos ministérios, pastores e outros membros do corpo ministerial simpáticos à causa progressista e envolve-los em grupos de estudo. Eles podem evoluir e ocupar cargos de direção na diretoria de ministérios, e quem sabe a presidência de suas respectivas igrejas ou campos. Ter líderes eclesiásticos em postos chaves dentro de ministérios é de vital importância para barrarmos o avanço do conservadorismo e de candidatos como Bolsonaro.

Acima de tudo: prepararmos a retomada do Poder, em 2022, em caso de uma vitória de Bolsonaro, no próximo dia 28. Há um longo caminho a trilharmos. Uni-vos.


Sobre o autor desse artigo 

Johnny Bernardo é Cientista Social e colaborador no blog Somos Progressitas.

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