Ricardo Gondim: Meu pai foi torturado na ditadura, e minha mãe grávida agonizou até perdeu seu filho


“Fui vítima da ditadura de 1964. Meu pai, um homem honrado, honesto, trabalhador e gentil padeceu cadeia e tortura. Ele foi preso na madrugada entre 31 de março e 1 de abril. Minha mãe, grávida de gêmeos, agonizou por meses. Resultado: uma dos bebês morreu.” (Ricardo Gondim)


Publicado em 09/10/2018.

Pastor Ricardo Gondim. Reprodução do YouTube.

Em um artigo publicado em seu site, intitulado “Meu nojo”, o pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda, disse que foi vítima da ditadura civil-militar de 1964. Seu pai foi preso e torturado, e sua mãe, grávida de gêmeos, agonizou até perdeu um de dois filhos. O artigo foi escrito para explicar um post dele no Twitter, na noite do primeiro turno das eleições, em que ele afirmou que estava como nojo de todos evangélicos que apoiaram Jair Bolsonaro, candidato a presidente da República de extrema-direta pelo PSL.
Bolsonaro exalta a ditadura e chama o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra de herói.

“Fui vítima da ditadura de 1964. Meu pai, um homem honrado, honesto, trabalhador e gentil padeceu cadeia e tortura. Ele foi preso na madrugada entre 31 de março e 1 de abril. Minha mãe, grávida de gêmeos, agonizou por meses. Resultado: uma dos bebês morreu; e os traumas perduraram por décadas. Os horrores se multiplicaram. Eu era adolescente. Me recordo, entretanto, em mínimos detalhes, o que significa viver sob censura, medo, pânico” – diz o texto.

Na sequência, Gondim relembra falas preconceituosas e os discursos de ódio de Bolsonaro, que, segundo ele, “não tem caráter suficiente que possa defender a moral cristã”:

“Sou cristão e não posso admitir que a mensagem bela e nobre de Jesus seja raptada por um sujeito vil, que advoga metralhar, perseguir, ou medir outras pessoas por “arrobas”. O “coiso” se coloca, diametralmente, contrário a tudo o que preguei, ensinei, vivi. Ele não cabe no evangelho que aceitei desde minha adolescência. Seu discurso é abertamente racista, abertamente misógino, abertamente preconceituoso. O ex-capitão não tem valores familiares, não possui conteúdos éticos e nunca mostrou caráter suficiente que possa defender a moral cristã.”

O papel do coronel Ustra durante a ditadura militar

Durante a ditadura militar, o coronel Ustra chefiou o DOI-Codi do II Exército, em São Paulo – siglas para Destacamento de Operação Interna (DOI), órgão subordinado ao Centro de Operações e Defesa Interna (CODI). Ambos foram criados na ditadura militar – como extensões da Operação Bandeirante (Oban), que tinha a missão de identificar, localizar e prender integrantes de grupos considerados subversivos. Sob seu comando, foram registradas ao menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, segundo o Relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que responsabilizou Ustra por participação direita e indireta em práticas de tortura e assassinatos. Em participações indiretas, Ustra permitia violações de Direitos Humanos nas unidades do Estado que estavam sob sua administração.

À Comissão, o ex-sargento do Exército Marival Chaves afirmou que Ustra era “o senhor da vida e da morte” no DOI-Codi.

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5 comentários

  1. Muito obrigado pelo seu depoimento. É bom saber que ainda existem cristãos que pensam como eu. Me sinto um peixe fora dagua, mas jamais posso admitir que qualquer cristão deva votar em Bolsonaro pois ele é oposto do que a bíblia ensina. Ñ consigo entender o que os evangélicos enchegargam nele. Só vejo ódio, preconceito, crueldade com os mais pobres… Ñ sei o que será do Brasil caso ele seja eleito . Abaixo vou deixar o site do meu marido

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  2. Te agradeço por sua análise, eu mesmo estou afastado dos ensinamentos cristãos em função disso. Quando acompanho história, tenho ciência que a Igreja Católica praticava a Inquisição na Idade Média. Fico feliz de ver que ainda há cristão com discernimento. Grato.

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  3. Sou um senhor de 67 anos e por pelo menos a metade de minha vida alisei bancos de “igrejas”. A “ficha” começou a cair na minha juventude, época de “presidente da mocidade”. Como eu me considero uma lesma em se tratando de absorver e atinar o mal subliminar, confesso que fui burro por muito tempo e perdi o meu tempo a frequentar sistemas religiosos, que agora, percebo que não tem quase nada a ver com o evangelho original.
    Hoje, com esse desastre provocado principalmente pelos que se apresentam como “evangélicos”, posso dizer com tranqüilidade que não me surpreendo nem um pouco com o que fizeram e continuam a apoiar. Não são evangélicos! O evangelho não é evangélico! Se o evangelho for evangélico, então eu, por minha bagagem de fé nesses longos anos seria o maior ateu na face da terra. Todo o evangelho de Jesus seria engolido pelo evangélico, pois este é diametralmente oposto àquele, mas independentemente do fruto dessa árvore, há muito tempo já havia me convertido pelo ateísmo da religião, este é o fator decisivo pela minha não surpresa dos frutos atuais dos “evangélicos”.

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    • Meu amigo, ser cristão é ser evangélico, esse povo que erroneamente se apropriou desse título, que é ratificado por muitos, indevidamente. Se observarmos atentamente eles se identificam perfeitamente com os fariseus.
      Sigamos Jesus no que tem de essencial na Sua divina mensagem, o Amor incondicional.

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