Opinião | Liberdade em Cristo às minorias


“O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado.” (Jean Jacques Rousseau)


Por Jeftte Barros Soares. Publicado em 08/10/2017.

minorias
Manifestantes protestam no #EleNão, em São Paulo, Largo da Batata. Foto: Ativismo Protestante.

A humanidade, ao longo de sua história, já enfrentou as mais diversas formas de desafios, todavia, a liberdade é um caminho ainda não muito bem pavimentado. Vivemos momentos pendulares quanto à liberdade. Todos nós somos ágeis e hábeis na defesa de nossas individualidades, mas somos inversamente proporcionais na defesa do outro, principalmente quando a individualidade do outro não corresponde a nossa visão de mundo. A visão de acorrentamento de Rousseau está diretamente ligada ao conceito de Estado contratualista, já defendido anteriormente por Hobbes, quando o mesmo afirmava ser o Estado um mal necessário, para evitar inclusive que fossemos devorados por nossos semelhantes. O atual processo eleitoral evidenciou o quanto temos sérias dificuldades em lidar com a individualidade do outro e entender o princípio de humanidade e liberdade de Cristo.

O que hoje está em jogo não é a proibição dos meus valores morais como cristão, mas sim a liberdade do outro de expressar a forma como vê o mundo. Defendemos nossa liberdade, proibindo o outro de ser livre? Existe muita coisa ainda desconhecida sobre Cristo, certamente que amor e liberdade não são desconhecidos. Ao longo da caminhada de Cristo, vidas foram impactadas e confrontadas com o objetivo de seguirem outros caminhos. No entanto, em nenhum momento Jesus fere a liberdade do outro por acreditar que as escolhas dos outros não são conforme a vontade dEle.

Em Lucas 9:51-56, Jesus tenta dirigir-se a Jerusalém com seus discípulos, e mensageiros vão à frente para procurar pousada em uma aldeia samaritana, pedido que é prontamente negado – devido à rivalidade existente entre judeus e samaritanos, apesar de ambos possuírem origem hebraica. Os discípulos se voltam para Jesus, perguntando-lhe se queria que invocassem um raio do céu para acabar com eles. Jesus prontamente os repreende e segue caminho. O respeito e a luta pelas liberdades individuais deveriam fazer parte da nossa caminhada, como cristãos que buscam a justiça social.

Jesus, em sua curta caminhada, deu voz, respeitou e defendeu aqueles que eram excluídos, não com o objetivo de ganhar mais um seguidor, mas para compreenderem que o amor de Deus independe de quem somos. O pastor batista Martin Luther King não deixou de ser cristão ou tornou-se comunista pela luta dos direitos civis dos negros, pelo contrário, foi voz profética em uma sociedade e igreja caladas pelo racismo. Não é preciso tornar-se comunista para apresentar-se de forma humana, mas difícil é dizer-se humano quando o mais importante é o capital.

Ser crítico do capitalismo não me torna necessariamente um marxista, ser critico do evangelho não me torna um ateu. Antes, torna-me consciente de todos os erros que são cometidos para romper com as correntes que nos prendem. Calar-me em meio às injustiças, minimizar a dor do outro, inferiorizando mulheres, negros, indígenas, homossexuais, é não manifestar a graça que deve ser manifesta a todos, e não apenas aos irmãos de fé.

Humanizar-se é buscar entender a dor do outro, das mais diversas formas. É ser imitador de Cristo, que mesmo estando igualado a Deus, não se aproveitou disso, mas tornou-se homem, na condição de escravo. Enquanto nós não nos colocarmos nas condições de todos esses grupos, jamais entenderemos o que foi o gesto sacrificial de Cristo, ao colocar-se em nosso lugar.


Sobre o autor desse artigo

Jeftte Barros Soares. Formado em História pela UFAL. Professor na rede privada e pública (atualmente afastado de sala devido à gestão). Conselheiro da JUBABPE (Juventude Batista Bíblica de Pernambuco) onde já teve o prazer de servir a Deus na liderança estadual, durante 5 anos.

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