Editorial | Cristo ou Barrabás? O voto cristão nessas eleições


“Certas lideranças religiosas costumam não hesitar quando o que está em jogo é manter seu poder, apoiando qualquer figura que lhes sirva.”


Publicado em 28/09/2018.

Jair Bolsonaro, Silas Malfaia, André Valadão, Magno Malta e Marco Feliciano. Reprodução.

Essa escolha é famosa e, de certa forma, constante entre os religiosos. Quando Pilatos propôs essa escolha ao povo, sua intenção era libertar Jesus, em quem não via culpa alguma, mas sabia que seria condenado em virtude dos interesses da elite religiosa da época. O povo, como se sabe, foi insuflado pelos religiosos naquele momento a escolher por Barrabás, rejeitando ao Cristo. A questão que podemos colocar é a seguinte: Por que Jesus era um perigo para a elite religiosa dos judeus? A resposta é simples: as pregações de Cristo eram uma ameaça à manutenção daquela ordem, pois propunham uma interpretação sobre a relação do ser humano com Deus de uma forma diferente da que a teologia da época defendia, sendo assim um perigo àqueles religiosos, que dependiam daquelas estruturas de poder.

Isto nos traz uma lição: certas lideranças religiosas costumam não hesitar quando o que está em jogo é manter seu poder, apoiando qualquer figura que lhes sirva, para não alterar a realidade em que vivem. Isto quer dizer que toda liderança religiosa age assim? Não necessariamente, mas, dada a nossa atual conjuntura política, deve nos levar a desconfiar dos interesses por trás de algum apoio religioso a políticos. Os líderes daquela época levaram o povo ao erro, clamando “ele não” a Jesus e escolhendo Barrabás. Mais do que apenas reconhecer o erro do povo, nossa questão deve ser sobre os interesses dos que não se preocupavam com Barrabás, mas sim com a condenação de Jesus.

A escolha entre Cristo ou Barrabás não se resume a decidir por um criminoso ou um inocente. Essa escolha pode indicar algo além: a decisão entre a manutenção de uma certa estrutura de poder que beneficia uma única parcela da sociedade, ou romper com essa estrutura. A questão é que todo cristão tenha consciência do seu voto, sabendo que sempre há líderes religiosos interesseiros que farão de tudo para manter Cristo distante, “libertando” Barrabás. Nós, hoje, podemos fazer diferente. Podemos ir contra essas lideranças e rejeitar suas determinações interesseiras. Podemos dizer “ele não” a Barrabás, escolhendo o Cristo livre. Livre das manipulações das igrejas. Livre de interesses políticos. Livre de uma instrumentalização de seu nome para atender figuras nocivas ao Evangelho. Livre de Malafaia, Feliciano, Magno Malta, André Valadão, dentre outros que deturpam o Evangelho em troca de projetos pessoais de poder. Livre dos discursos de intolerância, de violência e do ódio. Livre de Bolsonaro.

Que todo cristão vote em liberdade nessas eleições, sem acreditar que o triunfo do Reino de Deus, ou sua ruína, sejam determinados pela vitória de algum candidato. Antes, o Reino de Deus não é deste mundo (João 18.36). Deus tem tudo sob controle e não depende de um candidato para realizar sua vontade soberana. É por escolher a Cristo que, nessas eleições, o cristão pode votar e dizer #EleNão!

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