Editorial | A correlação entre felicidade e política em Aristóteles


A busca pela felicidade é uma luta política de todos. Quanto mais politizados formos, mais felizes poderemos ser.


Publicado em 23/09/2018.

Manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ativismo Protestante.

Em seu livro ‘Ética a Nicômaco’, ao analisar qual seria a finalidade maior das ações humanas, Aristóteles concluiu que é a felicidade, e a mesma precisa ser buscada através da política. Segundo ele, a felicidade é um bem desejável por todos pela sua própria excelência, ou seja, não depende de nenhum outro bem. Pelo contrário, todos os outros bens estão subordinados ela. A felicidade é auto-suficiente e existi por si só, embora seja abstrata.

“[…] chamamos de absoluto e incondicional aquilo que é sempre desejável em si mesmo
e nunca no interesse de outra coisa.”

Por outro lado, todos os outros demais bens são buscados tendo em vista a felicidade, tornarndo ela absoluta.

“Ora, esse é o conceito que preeminentemente fazemos da felicidade. É ela procurada sempre por si mesma e nunca com vistas em outra coisa, ao passo que à honra, ao prazer, à razão e a todas as virtudes nós de fato escolhemos por si mesmos (pois, ainda que nada resultasse daí, continuaríamos a escolher cada um deles); mas também os escolhemos no interesse da felicidade, pensando que a posse deles nos tornará felizes. A felicidade, todavia, ninguém a escolhe tendo em vista algum destes, nem, em geral, qualquer coisa que não seja ela própria.”

Por auto-suficiente, Aristóteles entende ser algo que atinge a completude, em que não caberia mais nada, nem nada mais faltaria para ser.

“[…] definimos a auto-suficiência como sendo aquilo que, em si mesmo, torna a vida desejável e carente de nada.”

Para o filósofo estagirita, o caminho para alcançar a felicidade passa necessariamente pela prática da virtude, de atos justos. Logo, passa pela política, pois é ela que determina o modo de viver de uma sociedade.

“[…] ela (a felicidade) é uma atividade virtuosa da alma, de certa espécie (virtude).”

Eis o que nos difere dos animais brutos, os quais, segundo ele, não podem ser chamados de felizes, pois não praticam a atividade política nem a virtude.

“É natural, portanto, que não chamemos feliz nem ao boi, nem ao cavalo, nem a qualquer outro animal, visto que nenhum deles pode participar de tal atividade.”

Daí sua famosa definição de humanidade:

“O homem é um animal político, destinado a viver em sociedade”

Ou seja, a busca pela felicidade é uma luta política de todos. Quanto mais politizados formos, mais felizes poderemos ser. Então, não podemos nos alienar politicamente, seja votando nulo, em branco, ou nao discutindo política. Desprezar a política é um ato que fere a própria dignidade humana, que precisa de suas necessidades básicas atendidas para ser feliz, como saúde, moradia e emprego. Não é razoável atentar contra a sua própria felicidade e a dos seus semelhantes.

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