Opinião | Breves considerações sobre direita e esquerda


Meu objetivo aqui é ser didático e aclarar um pouquinho o que está em jogo em um pleito eleitoral.


Por Ronaldo Martins Gomes. Publicado em 21/09/2018.

Reprodução da internet editada.

Em um contexto de recursos escassos e distribuídos de forma altamente injusta e desigual, o ponto de partida (A) são as constantes e cambiáveis necessidades humanas. O ponto de chegada (B) é a construção de um modelo, de produção e de reprodução da vida em sociedade, e também de convivência social, em que a distribuição do produtos (riquezas existentes e potenciais) seja melhor distribuídas entre todos. Também, em que haja efetivo reconhecimento das diferenças que constituem os viventes.

Nessa perspectiva, o caminho a ser percorrido, saindo A, para chegar a B, é mediado por duas formas (com variações de maior ou menor intensidade) de ação política, ou doutrina política, e com reflexos em todas as áreas sociais, que são respectivamente a esquerda e a direita. Mas, de forma simples, o que significa isso?

A direita, como posição política, baseia-se em uma perspectiva liberal de que apenas as forças do mercado, a iniciativa individual e o aumento consistente da produtividade em longo prazo poderão dar causa a um real crescimento da renda, de forma a propiciar melhores condições de vida para as populações desfavorecidas. Essa linha de raciocínio entende que a ação dos agentes que fazem a política pública de redistribuição deverá ser modesta, isto é, restringir-se ao mínimo de interferência possível no universo econômico. Nessa concepção, é o mercado, como um mecanismo altamente virtuoso, que garantirá a construção de uma sociedade melhor, mais justa e com efetivo crescimento para todos, notadamente os que trabalhem, sejam empreendedores e cultivem a ordem social.

A esquerda, diferentemente, entende que é apenas por meio das lutas sociais e políticas que se pode enfrentar e combater as causas da miséria e da exclusão de número imenso e crescente de seres humanos, alocados em estratos sociais altamente vulneráveis e desfavorecidos, que são os frutos necessários do modo de produção capitalista. Nessa perspectiva, a ação dos agentes que fazem a política pública de redistribuição deverá orientar o processo de produção econômica, em detrimento do mecanismo virtuoso do mercado, direcionando os lucros obtidos. Não para benefício e a satisfação de uma minoria, como acontece atualmente, mas para o maior número possível de mulheres e de homens, de forma a reduzir o abismo das desigualdades sociais entre classes, subclasses e grupos sociais.

Essas diferenças refletem-se fortemente naquilo que chamo de bandeiras ou causas sociais. A esquerda tende a ser progressista, a direita, pelo contrário, tende a ser conservadora. Muito embora sempre possa haver as exceções dos dois lados.

No limite, tanto o ponto A quanto o ponto B são comuns aos esquerdistas e aos direitistas. As divergências referem-se ao modo ou método de se fazer o percurso.


Sobre o autor desse artigo

Ronaldo Martins Gomes é mestre e doutor em Educação, doutorando em Ciências Sociais, bacharel em Ciências Jurídicas e licenciado em Filosofia.

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