Opinião | Como lidar com um parente bolsominion


“Aiimmm… Não pode bloquear parente por causa de política…” E desde quando Bolsonaro, preconceitos e discursos de ódio são políticos?


Por Osmar Carvalho*. Publicado em 21/08/2018.

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Reprodução.

Parente bolsominion é pior que estranho bolsominion, pois se acha no direito parental de soltar sua verborragia preconceituosa em nossos ouvidos. Sujeito carente de cérebro, ele não hesitará em defender ideias extremistas e preconceituosas, ainda que isso vá te ferir, pois desconhece a palavra empatia. Amor ao próximo? Esquece! Evitá-lo é o melhor que podemos fazer.

Ele será racista, mesmo que seja contra a sua cor de pele, se você for negro. Defenderá o fim das cotas raciais, pois isso fere a meritocracia. Segundo ele, todos são iguais e nossa sociedade é igualitária. Negará veementemente políticas públicas de reparação, porque, na sua visão, nem o Brasil, nem o mundo, nem ele, nem ninguém tem dívida histórica com negros. “Não escravizei niguém!”, dirá.  Tentará convencer de que os negros escravizaram e venderam os próprios negros, sendo os únicos culpados de suas mazelas. Na pior das hipóteses, invocará o divino: os negros descendem de uma raça eternamente amaldiçoada por deus. Por fim, se for execrado e combatido por fortes argumentos,  tentará justificativas dóceis, do tipo: “somos parentes”; “também sou negro”; “tenho amigos negros”; “meu cachorro é preto”.

Também será misógino com a vovó, tia, mãe e irmã, porque precisa se autoafirmar como macho-alfa. Mulheres são frutos de uma fraquejada sexual masculina. Espermas mal gerados. Machista. Na visão dele, não há nada de errado em mulher ganhar menos que os homens, tendo as mesmas atribuições e capacidades. Para parecer um liberal sensato e justo, dirá que o Estado não deve interferir na relação patrão-empregado. Como argumento, terá o acinte de dizer que a CLT já cuida disso. “Mulheres abortistas são assassinas!”, exclamará o débil mental. Em um descalabro total, pode até afirmar que mulher merece ser estuprada, mesmo sendo da família.

Se houver gay na família, sai de baixo. Um machão convicto bolsominion é territorialista, não divide seu espaço com homossexual. Raça pura. Não há convívio possível, no máximo tolerância, mas sempre deixando bem claro que ninguém gosta.

Intolerante, se os ânimos se arriçarem muito, pode haver tiro, porrada e bomba. Homem que é homem de verdade anda armado e resolve suas tretas na bala, se for possível. Não duvide: ele pode invocar até um Jesus justiceiro, de fuzil e ponto 50, cujas ideias armamentistas foram não só confirmadas, mas também ensinadas pelo apóstolo Paulo, outro “porra-loca” da vida.

São fariseus dos novos tempos.

Minoria deve ficar no canto da sala. E abram alas para a maioria passar e desfilar seu ódio, legitimado por políticos populistas lunáticos e pastores evangélicos sensacionalistas, que deturpam o Evangelho em prol de todo tipo de preconceito.

Corta as asas do “mito” logo. Bloqueia no Facebook, desfaz amizade virtual, já que a insensatez é tamanha que o impede de fazer uso minimamente racional das faculdades cognitivas. Tampouco entender o que é preconceito e seu grau de seriedade e trauma para aqueles que o sofrem. No meu caso, que sou negro, em um contexto social racista como o nosso.

Não adianta tentar diálogo com bolsominion, pois ele não acredita na ONU, no papa, nos filósofos, na ciência, nem em Jesus. Só no Frota!

Tudo é relativizado e resumido a uma resposta universalmente burra: “mi-mi-mi”.

“Aiimmm… Não pode bloquear parente por causa de política…” E desde quando Bolsonaro, preconceitos e discursos de ódio são políticos?

E nas reuniões de família? Parente que quiser ser bolsominion, de extrema-direita, tem que estar preparado para ser chamado de racista, misógino e homofóbico na reunião de família, no Natal… Eu vou ser o primeiro a chamar, sem nenhum constrangimento.

Mas nem tudo está perdido. Ainda há esperança para o cão vivo. É possível reconciliação, desde que haja arrependimento claro e pedido de desculpas do bolsominion. Como bons cristãos, estamos sempre aptos e dispostos a perdoar. Amamos o perdão. Queremos perdoar.

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Sobre o autor desse artigo

*Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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