Marina reedita Davi x Golias e derrota o exército do ódio bolsominion


Embate entre Marina Silva e Jair Bolsonaro foi ponto alto do debate promovido pela Rede TV! Candidata foi elogiada nas redes sociais, por defender as mulheres e repudiar a proposta de liberar porte de arma de fogo para todos cidadãos.


Publicado em 18/08/2018.

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Os presidenciáveis Marina Silva e Jair Bolsonaro debatem na Rede TV!. Reprodução do Youtube.

O debate presidencial realizado pela Rede TV!, nessa sexta (17), proporcionou aos telespectadores, evangélicos ou não, um momento alto da batalha política travada pelos candidatos. Ao ser indagada pelo candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede) reeditou uma passagem bíblica épica, em que o jovem Davi enfrentou e venceu o exército filisteu, matando seu famoso soldado gigante, Golias. Assim como na narrativa veterotestamentária, Marina derrotou, sozinha, o exército bolsominion do ódio, representado por Bolsonaro.

A batalha de Israel contra um de seus principais inimigos à época, os filisteus, está registrada no livro de 1 Samuel, capítulo 17.

“Os filisteus juntaram suas forças para a guerra e reuniram-se em Socó de Judá. E acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca.
Saul e os israelitas reuniram-se e acamparam no vale de Elá, posicionando-se em linha de batalha para enfrentar os filisteus.
Os filisteus ocuparam uma colina e os israelitas outra, estando o vale entre eles.”

1 Samuel 17:1-3

Confiante em suas poderosas armas e em sua força bruta, o soldado filisteu gigante dispensou até mesmo a ajuda de seu próprio exército, certo de que ninguém poderia resistir a um fuzil ou pistola, assim como pensa Bolsonaro.

“Um guerreiro chamado Golias, que era de Gate, veio do acampamento filisteu. Tinha dois metros e noventa centímetros de altura.
Ele usava um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava sessenta quilos;
nas pernas usava caneleiras de bronze e tinha um dardo de bronze pendurado nas costas.
A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele.
Golias parou e gritou às tropas de Israel: ‘Por que vocês estão se posicionando para a batalha? Não sou eu um filisteu, e vocês os servos de Saul? Escolham um homem para lutar comigo.
Se ele puder lutar e matar-me, nós seremos seus escravos; todavia, se eu o vencer e o matar, vocês serão nossos escravos e nos servirão’.
E acrescentou: ‘Eu desafio hoje as tropas de Israel! Mandem-me um homem para lutar sozinho comigo’.”

1 Samuel 17:4-10

Assim como o corajoso jovem Davi – que depois seria escolhido rei de Israel no lugar de Saul, que fora rejeitado por Deus – Marina aceitou o desafio do gigante Bolsonaro, que, naquele momento, representava o exército do ódio bolsominion. O exército dos que não veem a mulher com as mesmas capacidades e direitos do homem, que relativiza o racismo, tentando justificá-lo, que tem como herói um torturador e a ditadura como um bom modelo de governo para todos.

Enquanto os sete poderosos homens candidatos que participavam do debate não tiveram a iniciativa de repudiar os discursos de ódio de Bolsonaro – como também se acovardaram os homens do exército de Israel – a fisicamente frágil, desarmada, porém corajosa Marina foi para o enfrentamento do mito. Não em nome de um Deus, mas em nome das mulheres e do amor, por vezes atacados por Bolsonaro. E venceu.

“Então Saul vestiu Davi com sua própria túnica. Colocou-lhe uma armadura e um capacete de bronze na cabeça.
Davi prendeu sua espada sobre a túnica e tentou andar, pois não estava acostumado àquilo. E disse a Saul: ‘Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado.’ Assim tirou tudo aquilo, e em seguida pegou seu cajado, escolheu no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor e, com sua atiradeira na mão, aproximou-se do filisteu.”

1 Samuel 17:38-40

Bolsonaro escolheu questionar Marina, para evitar o embate com Guilherme Boulos (PSOL) e Cabo Daciolo (Patriota), talvez confiando em sua suposta superioridade masculina e sujugando a aparência feminina da candidata, que lembra uma senhor dócil e pacífica. Porém, ao escolher Davi, Deus já alertara que não julga segundo a aparência, ou segundo a força física, mas segundo o coração.

“O Senhor disse a Samuel: ‘Até quando você irá se entristecer por causa de Saul? Eu o rejeitei como rei de Israel. Encha um chifre com óleo e vá a Belém; eu o enviarei a Jessé. Escolhi um de seus filhos para ser rei’.
Samuel, porém, disse: ‘Como poderei ir? Saul saberá disto e me matará’. O Senhor disse: ‘Leve um novilho com você e diga que foi sacrificar ao Senhor.
Convide Jessé para o sacrifício, e eu lhe mostrarei o que fazer. Você irá ungir para mim aquele que eu indicar’.
Samuel fez o que o Senhor disse. Quando chegou a Belém, as autoridades da cidade foram encontrar-se com ele tremendo e perguntaram: ‘Você vem em paz?’
Respondeu Samuel: ‘Sim, venho em paz; vim sacrificar ao Senhor. Consagrem-se e venham ao sacrifício comigo.’ Então ele consagrou Jessé e os filhos dele e os convidou para o sacrifício.
Quando chegaram, Samuel viu Eliabe e pensou: ‘Com certeza este aqui é o que o Senhor quer ungir’.
O Senhor, contudo, disse a Samuel: ‘Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração’.
Então Jessé chamou Abinadabe e o levou a Samuel. Ele, porém, disse: ‘O Senhor também não escolheu a este’.
Então Jessé levou Samá a Samuel, mas este disse: ‘Também não foi este que o Senhor escolheu’.
Jessé levou a Samuel sete de seus filhos, mas Samuel lhe disse: ‘O Senhor não escolheu nenhum destes’.
Então perguntou a Jessé: ‘Estes são todos os filhos que você tem?’. Jessé respondeu: ‘Ainda tenho o caçula, mas ele está cuidando das ovelhas’. Samuel disse: ‘Traga-o aqui; não nos sentaremos para comer até que ele chegue’.”

1 Samuel 16:1-11

Os assessores não alertaram Bolsonaro disso. Tampouco o mito poderia conhecer tal passagem, haja vista seu baixo conhecimento bíblico. Ele mandou Marina ler o “livro de Paulo” e disse que a Bíblia prega o armamento.

Pois bem, se Davi já havia sobrevivido ao ataque de um urso e de um leão, Marina venceu a fome, a pobreza e o analfabetismo. Mas talvez sua maior vitória tenha sido sobreviver ao machismo e ao feminicídio, que todos os dias vitimam mulheres Brasil afora. Por que não venceria ataques covardes de um macho-alfa?

Bolsonaro questiona Marina, se ela é favorável ao porte de arma, assim como ele. Marina responde de imediato que não é. Mas antes de exibir a cabeça de Bolsonaro como prêmio, como fez Davi, após matar o gigante com uma simples pedrada na testa, Marina o nocauteou aos poucos. Primeiro, ela retoma uma resposta de Bolsonaro ao candidato Henrique Meireiles (MDB), em que ele disse que não se preocuparia com a desigualdade salarial entre homens e mulheres, pois isso já estava na lei (CLT), minimizando o problema sexista.

“Antes eu queria te dizer uma coisa, Bolsonaro. Você disse que a questão dos salários menores para mulheres é uma coisa que a gente não precisa se preocupar, porque já está na CLT. Só uma pessoa que não sabe o que significa uma mulher ganhar um salário menor do que o homem, e ter as mesmas capacidades, a mesma competência, e ser a primeira a ser demitida; ser a última a ser promovida. E quando vai numa fila de emprego, pelo simples fato de ser mulher, não é aceita.

Então, não é uma questão de que não precisa se preocupar. Tem que se preocupar sim. Presidente não pode fazer vista grossa. Um presidente da República está lá pra combater injustiça” – disse Marina.

Em sua réplica, Bolsonaro tentou mais uma vez atacar Marina, usando sua religião:

“Temos aqui uma evangélica que defende o plebiscito para o aborto e para a maconha, e quer agora defender a mulher. Você não sabe o que é uma mulher, Marina, que tem um filho jogado no mundo das drogas. Eu defendo a mulher.”

Marina rebateu:

“Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães, nós educamos nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é um filho ser educado para ser um cidadão de bem, e você fica ensinando para os nossos jovens que tem que resolver as coisas na base do grito.”

Como golpe de misericórdia, Marina citou a um versículo bíblico, relembrando um episódio recente, em que Bolsonaro ensinou uma criança a fazer gesto de tiro com a mão:

“Você um dia desses pegou a mãozinha de uma criança e ensinou como é que se faz para atirar. Você sabe o que a Bíblia diz sobre ensinar uma criança? Ensina a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.”

O embate levou Marina Silva ao primeiro lugar dos Trending Topics do Twitter, uma lista em tempo real das palavras mais postadas no microblog, as mais em alta em todo o mundo. São contabilizadas hashtags e nomes próprios.

Por esse feito, Marina foi exaltada, elogiada e comentada nas redes sociais, muito mais que seus adversários políticos. A maioria das pessoas ainda prefere o amor ao ódio.

Na saída do debate, Marina comemorou a vitória:

“Não temos medo desses bolsominions, não”, brincou. “Existem aqueles que gostam de subestimar as mulheres”, disse ela.

Assista ao embate entre Marina e Bolsonaro no vídeo abaixo, a partir do instante 1:52:56.

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