Igreja Presbiteriana Independente é exemplo na luta pelo fim da violência contra mulheres


Centenária e com origens na Reforma Protestante do século XVI, a IPIB foi fundada em 1903 por dissidentes da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), valorizando lideranças nacionais e adotando doutrinas menos conservadoras, como a ordenação de mulheres.


Publicado em 11/08/2018.

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Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB). Reprodução.

A abertura para questões tabus – como a ordenação de mulheres – fazem da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) a mais humanista dentre os diferentes seguimentos das Igrejas Presbiterianas. Também uma das mais acolhedoras e inclusivas das igrejas protestantes daqui.

Fundação da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Centenária e com origens na Reforma Protestante do século XVI, a IPIB foi fundada em 1903 por dissidentes da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) – a mãe de todas as demais Igrejas Presbiterianas, como relata um trecho da sua história, contada em seu site:

“Na noite de 31 de julho de 1903, um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros deixou a reunião do Sínodo (da então Igreja Presbiteriana do Brasil), liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, para fundar a “EGREJA PRESBYTERIANA INDEPENDENTE BRAZILEIRA”, segundo a ortografia da época. No dia seguinte, 1 de agosto, organizaram-na oficialmente em ‘Presbitério Independente.'”

A origem da cisão foi devido, dentre outros, aos seguintes fatores :

  • Incompatibilidade entre maçonaria e fé cristã (muitos pastores e missionários presbiterianos eram maçons);
  • Investimento financeiro em evangelização direta, não em grandes colégios;
  • Liderança da igreja feita por nacionais, não estrangeiros;
  • Autonomia eclesiástica.

Ordenação feminina e justiça de gênero

Após muitos debates, discussões, oposição e resistência das mulheres, a IPIB reconheceu a ordenação feminina, há 19 anos, em 1999, alterando sua Constituição. Com isso, mulheres passaram a ocupar cargos eclesiásticos de instâncias superiores, com poder de decisão, antes permitidos apenas aos homens – como de pastora e presbítero. A IPIB também trabalha para aumentar a representatividade de mulheres nos diversos setores da igreja. Ainda não há mulheres em cargos institucionais, como Diretoria, Assessoria e Secretaria Geral – por exemplo. Também têm presença tímida em cargos intermediários, como nas Secretarias (em um total de oito Secretarias, apenas a Secretaria de Diaconia é comandada por uma mulher – vide site da IPIB).

Engajamento na luta pelo fim da violência contra as mulheres

A IPIB é integrante da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL), que esse ano adotou o dia 14 de setembro como o “Dia da Oração pela Mulher Latino-americana”, uma campanha para denunciar a violência contra as mulheres. A data faz parte de um projeto maior, chamado “Justiça de Cristo – Paz para elas, paz para o mundo“, tema eleito pelo Departamento de Mulheres da AIPRAL, para o quinquênio 2017-2021.

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Campanha do Dia da Oração pela Mulher Latino-americana, da Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL). Reprodução.

Empoderamento feminino

Além disso, entre os dias 9 e 10 de junho de 2018, mulheres das igrejas brasileiras pertencentes à AIPRAL reuniram-se, em São Paulo, para a elaboração da Liturgia do “Dia da Oração pela Mulher Latino-americana”, elegendo o tema:

“Justiça e Igreja Cristã no Brasil: igualdade de tratamento e oportunidades para mulheres, meninas e meninos.”

As mulheres representaram as seguintes igrejas brasileiras que integram a AIPRAL: Igreja Evangélica Congregacional do Brasil, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

A Igreja Presbiteriana do Brasil é contra a ordenação de mulheres

Recentemente, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, realizado entre os dias 22 e 28 de julho,  decidiu que mulheres não podem ser ordenadas a cargos eclesiais. A decisão foi considerada sexista por parte dos internautas, nas redes sociais.

Os líderes da IPB também deliberaram sobre outros assuntos envolvendo a participação feminina nas igrejas, como a proibição de pregações feitas por mulheres, a não ser “quando não houver disponibilidade de oficiais para pregar e sempre sob a autoridade do pastor”.

Outra decisão, referente a mulheres de outras igrejas, também foi tomada: “proibição de mulheres ordenadas em outras denominações de ocuparem os púlpitos presbiterianos”. Nicodemus justificou essa decisão:

“É bom lembrar que não havia uma posição do Supremo Concílio sobre esse assunto e que abusos estavam acontecendo no âmbito da denominação, onde igrejas realizavam cultos com pastoras e bispas de igrejas neopentecostais e de outras linhas, e onde mulheres ocupavam regularmente os púlpitos”, explicou o reverendo.

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