Editorial | Eleitores de Ciro também carecem de inteligência emocional


Ciro falhou, até agora, em conquistar aliados e alianças e se isolou já na pré-campanha. Seria muita ingenuidade acreditar que no jogo político um simples “me apoia” traria apoios.


Publicado em 08/08/2018.

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Brasília 04.07.2018 – Ciro Gomes participa de Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República. Foto André Carvalho/CNI editada, via Fotos Públicas.

Parece que os eleitores do Ciro (PDT) incorporaram a mesma carência de inteligência emocional dele. Nem foram definidos candidatos à presidência da República ainda e já começaram a vociferar nas redes redes sociais, xingando Lula e o PT. Alguns chegaram à loucura de se declararem anti-PT-Lula e estão fazendo até campanha contra, em uma guerra política declarada.

É lamentável ver que páginas e perfis que deveriam apoiá-lo fazem esse desserviço ao Ciro, que tem se esforçado para se policiar no que fala. Embora o próprio Ciro os tenha incitado ao rancor também, com várias críticas depreciativas a Lula e ao PT.

Ciro falhou, até agora, em conquistar aliados e alianças e se isolou já na pré-campanha. Sim, aliados são conquistados. Seria muita ingenuidade acreditar que no jogo político um simples “me apoia” traria apoios, ainda mais do PT, maior partido de esquerda do Brasil, um dos maiores da América Latina e o único com potencial para vencer a coligação entre o PSDB de Alckmin e o chamado centrão. O que Ciro e seu partido fizeram até agora para conseguir apoio? Nada! Falta-lhes capacidade de persuasão e articulação política.

Agora os ciristas adotam as mesmas narrativas da direita e extrema-direita, de que a culpa é do PT e xingam Lula, tentando colocá-los como inimigos de Ciro, no momento, e do Brasil, no futuro, caso a esquerda perca as eleições. Alguns já até negam o golpe de 2016 e o caráter político da prisão do ex-presidente. Nesse quesito, deixam muito a desejar Por outro lado, têm facilidade de conquistar desconfiança e ressentimento, principalmente do eleitorado lulo-petista.

Um tiro no próprio pé. Ou acham mesmo que alguém da esquerda vai vencer as eleições sem votos de petistas, lulistas e seus milhões de simpatizantes? Óbvio que não! A falta de habilidade política para alianças de Ciro e de seu séquito é um erro grave que pode levá-lo a uma derrota precoce.

Ciro Gomes atacou Lula, o PT e o centrão na Globo News. Zombou de Lula preso e de sua possível candidatura, tentou emplacar a velha narrativa de “religião” petista. Se é isso que ele pensa, então está justificado o abandono a ele, né? Aliás, ele mesmo disse na sabatina que nunca esperou nem contou com esse apoio. Logo, não há do que reclamar.

Inteligência emocional é a capacidade de reação sóbria, respeitosa e coerente, diante de situações que envolvem alto grau de emoção, pressão e instabilidade dos ânimos. Quando alguém “explode”, seja em palavras, seja em atos, foi sequestrado pelas emoções, perdeu a razão e o controle da situação. Passa a ser o necessitado de ajuda.

Continuar nesse desatino político em nada ajudará Ciro a se levantar nas pesquisas, à medida que sua solidão retira dele tanto apoio da esquerda, quanto tempo para falar ao público nos horários de TV. De um lado, abandono dos partidos, de outro, aversão dos eleitores. Quem ganha uma eleição assim? Ninguém! E opção para a esquerda é o que não vai faltar, com bons candidatos, como Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’ávila (PCdoB), ambos muito bem preparados emocional e intelectualmente. Aliás, o próprio Lula elogiou e apoiou suas candidaturas; e eles a de Lula; ao contrário dos ciristas.

Ciro poderia ter optado por vários acordos com Lula e PT, ao invés de partir para a agressão, o pior dos caminhos para ele. Em todos ele ganharia muito, politicamente. Poderia ter negociado ser vice agora, sendo o sucessor imediato no caso de impedimento de Lula pela justiça. Poderia também ter acordado ser vice agora, e candidato de Lula e PT nas próximas eleições presidenciais, caso Lula fosse adiante nessas eleições.

Ao contrário de Ciro, que apostou todas as fichas na deterioração do PT e na perda do poder de influência de Lula, diante da opinião pública, Manuela D´Ávila acreditou que ambos ainda podem decidir e vencer uma eleição nacional. Aceitou ser vice de Lula. As pesquisas mostram que Ciro ousou certo, mas analisou errado, pois mesmo preso Lula continua crescendo nas pesquisas. A prisão parece que não foi o fim do es-presidente, como acreditava Ciro.

Ciro reivindicou para si um eleitorado que não construiu, já que não trabalhou nem trabalha na construção das bases, como o fazem o PT e o PSOL. Basta ir a manifestações para verificar isso: a maioria de militantes e bandeiras são do PT; e quase não se vê bandeiras do PDT.

Seria inteligente Ciro e seu partido se perguntarem onde falharam, e como se aproximar desse eleitorado importante e necessário para se chegar ao planalto. O caminho menos inteligente é o da agressão, com certeza.

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