Opinião | 100 anos sem Mandela, 100 anos sem Lula


“Hoje comemoramos 100 anos de Mandela, mas pranteamos 100 dias sem Lula.”


Por Osmar Carvalho*

Maputo – Moçambique, 16/10/2008. O então presidente Lula se encontra com Nelson Mandela. Foto: Ricardo Stuckert, editada.

Eu quero o Lula livre, porque, como preto e periférico, não acredito na justiça desde que nasci, elitizada e branca que é. Haja vista também a parcialidade e a ausência de provas, com as quais toda a coisa foi conduzida. Sem querer, eles nos deram nosso Mandela, alguém por quem vale a pena lutar.

Lula já fez muito pelos pobres e pelo país, dos quais uma grande parcela hoje o pisoteia, sem nenhum remorso ou senso de gratidão. A multidão que lotou a Paulista para pedir o impeachment de Dilma não era toda classe media tradicional. Milhares, ou milhões, eram pobres recém ascendidos a uma classe média “c”, graças ao governo petista. Aquela que tem carro popular financiado em parcelas a perder de vista.

Em relação a ele ser candidato e salvador de um país corroído pela corrupção dos políticos, de um lado, e pela ignorância do povo, de outro, acredito ser até um pouco covarde da nossa parte exigir isso de um senhor de 70 anos de idade. Nem Mandela conseguiu tanto.

De retirante nordestino a presidente da República, Lula já nos ensinou como lutar e vencer as injustiças sociais. Ele não é mais uma de nossas utopias, é a própria história do pobre que venceu, mesmo lutando uma guerra desigual, na qual o povo sempre está em gritante desvantagem. Venceu a desesperança. Alimentou o faminto; deu de beber ao que tinha sede; cobriu com um teto o desabrigado; instruiu o filho do analfabeto; iluminou as trevas do sertão.

Nós, sim, deveríamos fazer algo por ele nesse momento, como fizeram por Nelson Mandela, libertado após 27 anos de uma prisão injusta. E estamos fazendo, seja aqui, pedindo diariamente sua liberdade e denunciando o golpe em curso, seja lá em Curitiba, acampados em vigília.

Mandela e Lula… Lula e Mandela… se unem como elos à saga dos oprimidos na luta pela democracia e justiça social. Nós também somos parte dessa corrente. Assim como foi com Mandela, cuja liberdade só veio com pressão nacional e internacional contra um sistema político-judiciário ditatorial e injusto, assim será com Lula.

Hoje comemoramos 100 anos de Mandela, mas pranteamos 100 dias sem Lula. Não faz cinco anos que Mandela morreu, e nem um ano que Lula está preso. E essa falta que ambos fazem… parece 100 anos, né?

Lula livre!


Sobre o autor desse artigo

*Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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