Osmar Carvalho | O mito da superioridade sexual masculina

“A falta de educação sexual nas escolas favorece o machismo, à medida que aumenta o mito da supremacia sexual do homem, em detrimento da compreensão real da sexualidade da mulher.”

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Mulheres protestam contra a violência e por mais direitos. Foto: Ativismo Protestante.

Levei três décadas para descobrir que o clitóris é mais sensível que o pênis (que já é ultrassensível). Foi preciso aparecer a internet e o conhecimento se tornar acessível a todos. São 9 mil terminações nervosas. Ou seja, a mulher é superior ao homem, em termos de possibilidade de sentir prazer sexual.

Em uma coisa homem e mulher se igualam: assim como o pênis é a zona mais erógena do homem, o clitóris é da mulher.

A falta de educação sexual nas escolas favorece o machismo, à medida que aumenta o mito da supremacia sexual do homem, em detrimento da compreensão real da sexualidade da mulher. Também perpetua a ideia de que a mulher é um simples objeto sexual, inanimado sexualmente e incapaz de sentir prazer na mesma proporção que o homem – quando na verdade o que sempre houve foi a supressão da possibilidade e do direito dela sentir prazer pleno, ou gozar.

A ausência de informações e discussões nas igrejas também colaboram para perpetuar a mulher no lugar “sagrado” da submissão, bem como a quase demonização do seu direito de chegar ao orgasmo. Questões relacionadas à sexualidade e ao prazer sexual, tanto da mulher como do homem, ainda são tabu nas igrejas.

No fim das contas, o homem também sai um pouco vítima dessa sociedade machista, pois em cima dessa falsa superioridade sexual masculina foi construído o mito de que todo homem sentiria atração e desejo sexual por qualquer mulher. Algo como um desejo irracional e incondicional. Há também a eterna desconfiança do homem poder ser simplesmente um amigo da mulher, sentimento nos negado há séculos, ainda que não oficialmente. E o pior: nossa eterna paranoia de achar que o segredo é ter um pau grande. No caso dos homens negros, a coisificação de seus corpos em objeto de fetiche sexual, como homens que tem a obrigação de ter um superpau, colabora com o racismo.

Como homens, devemos respeitar e apoiar o lugar de fala das mulheres. A voz é delas, e a nós cabe ouvir, compreender e ser solidários as suas causas, sem determinar suas pautas. Também devemos entender a questão da representatividade, ou seja, não podemos ser representantes delas, nem exigir que elas se sintam representadas por nós, mas podemos reconhecer nossos erros como homens e olhar criticamente para a sociedade machista que predomina até hoje, expondo as relações de gênero desiguais configuradas, seja na política, nos locais de trabalho, ou em qualquer lugar onde os homens  são favorecidos de diversas formas – da proporção homem/mulher às diferenças salariais.

Disto isso, o que podemos fazer para melhorar como homens? Que tal começar aprendendo onde fica o clitóris? A maioria dos homens não sabe, segundo as mulheres. O YouTube tem dezenas de vídeos de especialistas (mulheres) ensinando o caminho. Seria um bom começo e um grande ganho sexual, prazeroso para ambos. Seguem abaixo alguns vídeos e canais que podem ajudar.

Vídeo 1 – Onde fica o clitóris? (Canal Aline Castelo Branco)

Vídeo 2 – Como estimular o clitóris? (Canal Cátia Damasceno)

Vídeo 3 – Tudo sobre o clitóris (Canal Dora Figueiredo)

Vídeo 4 – Preliminares | Cadê o clitóris? (Canal Dora Figueiredo)

Vídeo 5 – Eles conseguem achar o clitóris? (Canal Jão em vão)


Sobre o autor desse artigo

*Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

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