Crivella faz reunião secreta com pastores para oferecer “benefícios”, como cirurgias e ônibus nas portas das igrejas


“Entre nós não há corrupção. A gente recebe dinheiro do povo e a gente faz a casa de Deus” – diz o prefeito do Rio e bispo da Igreja Universal, Marcelo Crivella (PRB), em reunião secreta com pastores, na qual ofereceu “benefícios” aos fiéis, como cirurgias e pontos de ônibus nas portas das igrejas.

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O prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil, editada. Fotos Públicas.

Em reunião secreta no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, na tarde da última quarta-feira (4), o prefeito e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus – Marcelo Crivella (PRB) – recebeu 250 pastores e líderes religiosos de diversas igrejas, para oferecer “benefícios” do poder poder público municipal. A reunião, a portas fechadas, foi marcada por um aplicativo de mensagens e exigido que ninguém usasse celulares durante o encontro, segundo matéria do jornal O Globo.

Já no convite, Crivella deixa claro o objetivo da reunião, chamada de “Café da Comunhão”:

“Os participantes devem trazer suas reinvindicações por escrito em duas vias […] Na ocasião, ouviremos tudo que a prefeitura tem a nos oferecer.”

Usando palavras semelhantes às de Jesus, o prefeito começa justificando sua eleição como algo divino, assim como sua missão:

“Eu fui eleito para cuidar daquele que estava nu, que não foi vestido; que tinha fome e não deram de comer; e que estava preso, enfermo, e não foi visitado […] Não importa se vai ser um trauma no município, se as pessoas vão reclamar, vão criticar […] Mas nós temos que mudar esse país […] Porque só povo evangélico pode mudar esse país […]”

Em seguida, Crivella começa a oferecer “benefícios” aos pastores e seus fiéis, como cirurgias, ajuda em processos de IPTU, eventos em locais públicos e pontos de ônibus nas portas das igrejas:

Oferta de cirurgias para os fiéis das igrejas 

“Nós estamos fazendo o mutirão da catarata. A Márcia trabalha comigo há quinze anos. Ela conhece os diretores de toda a rede federal […] Eu contratei 15 mil cirurgias até o final do ano […] Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, por favor falem com a Márcia. É só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, e daqui uma semana ou duas eles estão operando” […] A outra, são varizes. A maioria são mulheres que estouram uma variz na perna e abre uma ferida que não fecha. E a senhora apenas troca o curativo. Hoje existe uma maneira, injeta na veia dela uma espuma medicinal e fecha a ferida, uma bênção. Também, por favor, falem com a Márcia. E tem a vasectomia para os homens, estamos zerando a fila.”

Segundo matéria do G1, na época de lançamento do plano de cirurgias do município, em abril, havia 15 mil pessoas na fila aguardando pela operação.

Problemas das igrejas com IPTU

“Tem pastores que estão com problemas de IPTU. Igreja não pode pagar IPTU, mesmo o salão alugado. Mas se você não falar com o doutor Milton, esse processo pode demorar e demorar. Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para esses processos andarem. Temos que dar um fim nisso.”

Eventos em locais públicos
“Vamos aproveitar esse tempo que nós estamos na prefeitura para arrumar nossas igrejas. Se vocês quiserem fazer eventos no Parque Madureira, está aqui o nosso líder, que é o doutor Valmir.”

Privilégios no transporte público

“Às vezes, o pastor está na porta da igreja e diz assim: ‘Quando o povo atravessa, pode ser atropelado’. Vamos botar um sinal de trânsito. Vamos botar um quebra-molas. Ou então o pastor diz assim: ‘O ponto de ônibus é lá longe, o povo desce e vem tomando chuva até a porta da igreja’. Então vamos trazer o ponto para cá”.

Assista ao vídeo abaixo:

Investigação pelo Ministério Público

O caso será investigado pelo Ministério Público (MP) do Rio, pela coordenação das promotorias de Justiça da Cidadania, que analisará se houve “inobservância da laicidade do Estado”, por dar tratamento privilegiado aos fiéis e às igrejas. A Constituição proíbe tal prática, que pode configurar improbidade administrativa. A Coordenação de Saúde do MP, para a fiscalização da política de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), também analisará as falas do prefeito.

Explicação da Prefeitura do Rio

Em nota, a Prefeitura do Rio disse que os objetivos da reunião eram a prestação de contas e a divulgação de serviços essenciais à sociedade.

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