Editorial | Quando vão prender Bolsonaro e o amiguinho criminoso da igreja?


“Permitir e aceitar Bolsonaro na política, bem como seus seguidores, é novamente dar as costas para as atrocidades praticadas na Ditadura Militar.”

O deputado Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia. Reprodução da internet.

A divulgação do memorando da agência de inteligência norteamericana (CIA), atestando que o Estado mantinha uma política de execução sumária de opositores da Ditadura – inclusive com o aval do presidente Geisel – acaba de vez com qualquer resquício de ideia de que houve alguma coisa boa naquele período. Se a nossa legislação fosse “levada a sério” e “rígida”, como querem os punivistas, o pré-candidato à presidência da República pelo PSL Jair Bolsonaro e seu séquito de imbecis já estariam presos – entre eles o amiguinho da igreja, já que grande número de evangélicos o apoiam. Eles são beneficiados pelo “abrandamento das leis”, contra o qual tanto esbravejam.

“Presidente brasileiro Ernesto Geisel decide continuar execução sumária de subversivos sob certas circunstâncias” – diz o memorando.

O mesmo documento fala de 104 mortos e da continuidade da política estatal de extermínio dos militantes políticos considerados “subversivos perigosos”. Desses mortos, Bolsonaro fez pouco caso e justificou as atrocidades:

“Quem nunca deu um tapa no bumbum do filho e depois se arrependeu?”

O Código Penal – Decreto Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940 – trata da apologia de crime ou criminoso:

“Art. 287: Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:

Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.”

A palavra ‘apologia’ vem do grego, significa “defesa” de algo ou de alguém. No caso de Bolsonaro e seus seguidores, defesa de militares torturadores e assassinos, e de suas práticas deliberadas de violações contínuas dos Direitos Humanos, durante o período da Ditadura Militar (de 64 a 85; 21 anos). Em seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro prestou homenagem em rede nacional, para todos os canais de televisão, a um dos mais sanguinários representantes do golpe militar: o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Trata-se de crimes contra a humanidade, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), contrariando o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que manteve a Lei da anistia tanto para os opositores como para os agentes estatais. A Corte Interamericana de Direitos Humanos da ONU condenou o Brasil no caso Gomes Lund e outros, responsabilizando o país pelo desaparecimento e pela morte de militantes políticos que lutaram na Guerrilha do Araguaia. Com essa sentença, a Corte votou a favor da invalidade da anistia para crimes contra a humanidade.

Além disso, a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, “define os crimes resultantes de preconceito de raça e de cor”:

“Art. 1º: Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Art. 20 – Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Pena – reclusão de um a três anos e multa.”

Bolsonaro já protagonizou alguns episódios bizarros, com falas racistas, publicamente. Por uma delas, proferida contra negros quilombolas, em palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro (2017), foi condenado a pagar multa de 50 mil reais de indenização a comunidades quilombolas e à população negra em geral – por danos morais.

Diariamente, programas de televisão religiosos evangélicos cometem racismo religioso contra religiões de matriz africana. Alimentados pelo ódio do fundamentalismo religioso, criminosos atacam e destroem terreiros de umbanda.

Há muitos outros tipos de crime de ódio que não são citados pela Lei nº 7.716, como homofobia, mas qualquer tipo de crime de intolerância está denunciado na Constituição. Aliás, Bolsonaro também já foi condenado a pagar indenização de 150 mil reais por declarações homofóbicas.

Mas, como disse Jesus, os filhos das trevas são mais sagazes que os filhos da luz. Enquanto eles destilam ódio, fazem apologia da tortura e do assassinato em massa de civis, nós ficamos no campo das ideias, tentando provar para eles que as atrocidades da Ditadura Militar foram reais. Isso chega a ser ridículo muitas vezes, pois parece que são realmente inocentes, que não sabem da verdade.

Segundo matéria do jornal O Globo, a Operação Bravata, realizada pela Polícia Federal na última quinta-feira (10), prendeu um dos maiores haters da internet, Marcello Vale Silveira Mello, um curitibano que dedicou sua vida a espalhar ódio contra negros, mulheres e homossexuais. Seus crimes de ódio incluíam apologia do assassinato e estupro.

Essa Operação é uma esperança de que os crimes de Bolsonaro e seus asseclas voluntariamente imbecilizados não sigam impunes, ou minimamente punidos, com pagamento de pequenas quantias em dinheiro (chamam de indenização).

Permitir e aceitar Bolsonaro na política, bem como seus seguidores, é novamente dar as costas para as atrocidades praticadas na Ditadura e que acontecem ainda hoje, com o extermínio de minorias negras, mulheres e LGBTs; e fazer de conta que não foi nada demais, só um “tapa no bumbum”.

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