Editorial | A direita gospel merece ganhar as eleições


“Porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.” (Lucas 16: 8)

Da esquerda para a direita: Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e Silas Malafaia. Reprodução da internet.

Há um tempo acompanhando páginas de esquerda e de direita, uma coisa temos que reconhecer: A direita gospel é engajada e sua a camisa para atrair eleitores até seus candidatos. Trabalhando de dia e de noite, curtem, compartilham e comentam sem medir esforços nos dedos. Enquanto isso a esquerda cristã dorme e se birra, sob a desculpa de que não vale a pena se desgastar nas redes sociais.

O resultado desse ativismo: de um lado, milhões de evangélicos aliciados mais-do-que-convencidos a votar em portadores de discurso de ódio e fundamentalistas, como Jair Bolsonaro e Marco Feliciano. Ambos eleitos deputados com cerca de meio milhão de votos e com milhões de seguidores fanáticos nas redes sociais. Um exército que trabalha voluntariamente, sem reclamar e sem exigir nada em troca. De outro, líderes lobos solitários tentam convencer algumas dúzias de crentes de que vale a pena militar em prol da esquerda política e seus ideais progressistas.

Enquanto uma postagem em uma rede social de direita rende milhares de interações – como visualizações, curtidas e comentários -, o mesmo não se observa em páginas protestantes progressistas. Parece ainda ser estranho um texto evangélico bem escrito, com fundamentação teórica e respeitando as regras gramaticais e a lógica; mesmo entre os progressistas. É tão fora do normal que nem parece verdade, deve ser coisa do PT. A mesma desconfiança que leva ao questionamento também pode travar tudo. O número de seguidores nas redes sociais também é desproporcional: milhões na direita, milhares na esquerda

O site do Ativismo Protestante mesmo aborda e defende 10 temas, que se desdobram em outras centenas de sub-temas, além de seu editorial e outras colunas específicas nas redes sociais. Direitos Humanos, negros, feminismo e teologia estão entre eles. Contudo, encontrar um evangélico que queira e seja capaz de escrever como voluntário é como encontrar uma agulha no palheiro. Muitos que se oferecem para colaborar no fim terminam sem falar um “a”. Não temos nada a dizer sobre tantas coisas, como evangélicos? Ou vamos usar a desculpa infantil “não vale a pena”? A direita não pensa assim, pelo contrário, acreditam cegamente que vale.

Falar qualquer coisa, sem nexo, estudo, coerência e lógica parece ser uma isca perfeita para atrair as massas informes de pessoas, visto que há milhões delas em todo lugar. A esquerda é mais exigente na retórica, pois requer consciência de classe e domínio de teorias complexas, como o marxismo histórico-dialético. Quando aliado ao discurso religioso, esse potencial se multiplica. Tais pensamentos ainda contrastam com as teologias pentecostais, segundo as quais é cada um por si e Deus para todos. A teologia da prosperidade esmaga qualquer tentativa de socialismo, já que seu Deus é capitalista, voltado ao sucesso financeiro e empresarial. Para o pensamento neopentecostal, todo homem é deus para empreender e construir seu paraíso, a autonomia.

Muitas vezes, a luta parece inglória, pois há todo o aparato das grandes igrejas evangélicas a favor da direita, devido à afinidade identitária com as ideias conservadoras. Enquanto isso a esquerda evangélica sofre desprezo até mesmo da esquerda; padece de todos os recursos, principalmente humanos.

Sobre essa apatia, o próprio Jesus rexonheceu o esforço dos que não pensam no coletivo, mas agem com base na meritocracia:

“Porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.” (Lucas 16: 8)

O profeta Jeremias nos exortou e admoestou acerca disso, em uma provocação muito atual, principalmente para os que decidiram se isentar da luta:

“Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se numa terra de paz estás seguro, como farás na enchente do Jordão?” (Jeremias 12:5)

Ou seja, se já nos cansamos com os extremistas antes das eleições, como nos animaremos para lutar sob o comando de seus eleitos? Se estamos “de boa” em um governo golpista, o que faremos com fascistas no poder?

O jovem Timóteo nos dá algumas dicas:

“Prega a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo; repreenda, corrija e exorte com toda a paciência e doutrina. (2 Timóteo 4:2)

As redes sociais são um bom termômetro pata medir tendências. Por enquanto, a julgar pela meritocracia, a direita gospel merece ganhar as eleições.

Acompanhe nossos Editoriais!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s