Querido Ariovaldo Ramos, ajuntemos as pedras, e lutemos por amor, fraternidade e justiça


“Querido Ari – nosso amado pastor e irmão em Cristo -, nossa solidariedade e abraço fraterno.”


Por Marcos Aurélio*

Pastor Ariovaldo Ramos. Reprodução da internet.

Por várias décadas, a igreja evangélica brasileira permaneceu calada diante das injustiças e da privação dos direitos humanos. A profecia bíblica foi abafada pelas forças de lideranças fundamentalistas e conservadoras. Pastores de si mesmo se aliaram ao sistema neoliberal dominante, contribuindo para o avanço da desigualdade social e aumento da pobreza. Muitos líderes evangélicos se renderam aos encantos do capitalismo, levando a igreja a se tornar egoísta, amiga da elite branca e covarde diante dos poderes dominantes de opressão. Calaram a profecia, silenciaram a voz de Deus no meio do povo. Não velaram pelas ovelhas de Jesus, simplesmente por acharem que as tais eram propriedade deles.

Contudo, em meio ao caos e desvios desses pastores, Deus decide levantar homens e mulheres de coragem, com voz profética. Pastores e pastoras famintos por justiça, para os quais o preço, assim como foi com os profetas hebraicos, é perseguição, calúnia e exclusão. Dentre vários que conheço, de perto e de longe, o pastor Ariovaldo Ramos certamente é um deles.

Como um dos coordenadores da Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito, Ariovaldo tem animado de forma corajosa discípulos e discípulas do Cristo a se levantarem com amor em resistência e luta, em um chamado para romper com os sistemas de exclusão e opressão aos pobres. Longe de ser militante de um partido político, pois não é filiado a nenhum, como muitos de nós, tem lutado e resistido na caminhada com o pobre, na luta pela reconstrução do Estado democrático de Direito.

Proferir juízo a uma pessoa sem conhecê-la, ou sem estar presente na luta pela causa, é tanto ignorância, como também um ato de maldade, pautada no egoísmo e alienação.

Em meio aos ataques de um fundamentalismo religioso, que permeia nosso meio, só temos uma alternativa: perdoar e seguir juntos na luta e resistência, ao lado dos pobres, dos negros, dos trabalhadores e trabalhadoras, dos sem-terra e sem-teto.

Querido Ari – nosso amado pastor e irmão em Cristo -, nossa solidariedade e abraço fraterno. Em meio a tudo isso, nossa resposta é ajuntar milhares de pedras atiradas sobre você, e construirmos juntos uma grande e linda casa para acolher a todos que lutam por justiça em nosso país.

Nosso luto vem do verbo lutar.


Sobre o autor desse artigo

Marcos Aurélio dos Santos é Teólogo, facilitador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) no Rio Grande do Norte e Coordenador do Espaço Comunitário Pé no Chão. Escreve como colunista do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e do Ativismo Protestante.

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