Editorial | Apologia da esquerda protestante


“Antes de qualquer ideologia política, nós somos de esquerda inspirados pelo verbo que se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a do unigênito do Pai: Jesus Cristo.”

Imagem: Reprodução da internet.

A esquerda nunca esteve muito aí para os protestantes. Antes de qualquer ideologia política, nós somos de esquerda inspirados pelo verbo que se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a do unigênito do Pai: Jesus Cristo. Se somos revolucionários, não é por amor cego a Marx, mas é porque nosso Senhor também o foi. E assim Ele nos ensinou, também ordenou que o fôssemos, que nosso luto por Ele viesse do verbo lutar: pelos pobres, necessitados e oprimidos, principalmente.

Assim como Ele, que nasceu em uma manjedoura, foi refugiado no Egito e antes de morrer disse que não tinha onde reclinar a cabeça para descansar, nós nos unimos àqueles que lutam por direito à terra e moradia. Lutamos contra a o nacionalismo nazi-fascista xenófobo, que fecha as portas para refugiados e imigrantes. Deus mesmo se declarou o dono da Terra, para que ninguém ousasse dela se apoderar e excluir alguém.

Inspirados pelo bebê messias, que recebeu magos religiosos, pregamos o diálogo inter-religioso e o ecumenismo. O cristianismo é tolerante e pacificista, antes de tudo. Logo, o cristão precisa ser pacificador também. Além disso, cremos que Jesus é quem pode salvar alguém, não as religiões, que são meras convenções humanas, não um meio necessário para chegar a Deus.

Resistir às ofertas e promessas de glória e acúmulo de riquezas dos capitalistas é resistir ao Diabo. Ele usou esses argumentos, de meritocracia e poder, para tentar Jesus no deserto e torná-lo seu subalterno. Aliás, a oferta de riqueza foi seu ataque mais contundente ao Cristo, para que esse abandonasse sua luta; tanto que ele deixou como cartada final. Convencer Jesus de que o capitalismo é bom foi a maior arma usada por Satanás; e o discurso de que “se você se esforçar, também chega lá”, associado a um cenário de desolação e miséria (deserto), pode fazer qualquer incauto se vender. Esse argumento é o motor da teologia da prosperidade, que deturpou o Evangelho e usurpou a consciência de classe dos pobres.

Como pregou Jesus no sermão da montanha, nós somos progressistas por amor aos pobres e às minorias; por termos fome e sede de justiça, de um dia vermos a pobreza, o racismo, a opressão da classe burguesa e qualquer tipo de discriminação serem erradicados.

Embora caminhemos ao lado da esquerda, não estamos a serviço dela, mas a serviço dos pobres, dos oprimidos, dos seres humanos e de Cristo. Ele foi quem nos enviou como ovelhas para o matadouro. É nossa obrigação dar nossas vidas pela humanidade, não por ideologias. Embora admiremos Marx, acreditemos em suas ideias e as tenhamos como bons instrumentais para a luta do proletariado, seguimos socialistas por fé, não por vista.

Antes de ser comunismo, o Deus de amor, na pessoa de seu filho Jesus, ensinou que é próprio do amor ao próximo repartir o pão. Na igreja primitiva, os cristãos vendiam suas propriedades e repartiam tudo entre si, segundo a necessidade de cada um.

Como vimos, Jesus nos deixou vários exemplos revolucionários de como devemos nos colocar ao lado dos mais pobres; seja na luta dos movimentos sociais, seja na política, ao lado da esquerda, seja na religião, promovendo a paz na Terra. Suas ideias são atemporais, são tanto para a sua época quanto para os nossos dias. E a sua promessa, e não ideologias políticas, é a nossa maior esperança: “Sereis consolados”.

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