A tara da esquerda por neologismos

Por Osmar Carvalho*


“A rotulagem é sempre uma apropriação não autorizada do próximo, cujas finalidades maldosas são sempre excluir, marcar, denegrir, pisar, machucar, etc.”


neologismo2
Imagem: Ativismo Protestante

Sim – Duvivier -, essa mania obstinada da esquerda querer nomear tudo é um saco mesmo. Pior é que as pessoas têm a pretensão de colocar todo mundo num saco. Todo dia tatuamos alguma coisa na testa de alguém: são os rótulos. E todo dia alguém desaparece por isso.

As feministas pioram isso, à medida que criam vários termos para competir com os supostos termos machistas que a sociedade teria criado unicamente em prol dos homens, ou pelos homens. Vai ter um contraposto para tudo? Se sim, o mundo vai ficar mais chato, já adianto. “Mundo” é substantivo masculino por enquanto, mas duvido que dure muito tempo. O termo “tempo” deve ruir em breve também, ante a determinação feminista de feminizar a linguagem, como forma de justiça de gênero.

Como todas, todos, “todxs” e “tod@s” não são suficientes para o entendimento entre humanos, agora temos “todes”, como se isso fosse incluir socialmente de algum modo os homossexuais. O que inclui mesmo é a criação de leis que protejam as minorias, pelo nosso Poder Legislativo; ou  mudanças de entendimentos de velhas leis, em prol dessas pessoas mais vulneráveis, quer pela sua opção sexual, quer pela sua cor de pele, quer por seu gênero.

As feministas agora usam “sororidade”, pois o termo viria do latim “sóror”, que significa irmãs; em contraposição ao termo “fraternidade”, que apesar de ser um substantivo feminino, deriva do latim “frater”, que significa irmãos (nem a fraternidade, um dos termos mais belo e humanista inventado pela humanidade, que inspirou e continua inspirando lutas por justiça e revoluções, escapou…xiii… humanista… humanidade… tudo lembra homem nessa po**a). Achava que fraternidade era um termo universal, para todos. Pelos menos suas definições o são: demonstração de amor e afeto ao próximo (qualquer um); convivência harmoniosa entre seres humanos, independente de raça, cor ou gênero.

Há uns meses, vi um termo em uma página de evangélicas de esquerda que me revoltou: “carnista”. Bastou eu manifestar minha indignação nos comentários que apareceram várias irmãzinhas (veganas e carnistas) para me detonar. Após um desgastante e extenso debate, no qual tentei de todas as formas (usei todo meu conhecimento sobre química, biologia e evolução das espécies) convencê-las de que eu não era um “carnista”, pois a carne era o mínimo nas minhas refeições (seria mais coerente um termo tipo “arrozista”; mas o que importa é rotular né?), eu me excluí da página. Mas não sem antes me xingarem de tudo quanto é nome, como “macho chato do caralho”.

Falei para me chamarem logo de “carniça”, pois além de ser bem parecido na pronúncia e na escrita, ofenderia igual e o termo já existe no léxico brasileiro; mais fácil que criar uma ofensa nova. Depois, em um debate mais racional, viria a saber que o termo serve para classificar pessoas que cultuam o consumo de carne, e disso se vangloriam, o que nunca foi o meu caso. Mas acertei, ainda que de forma instintiva, que “carnista” é algo depreciativo, para constranger e machucar mesmo.

Rotular pessoas já é mais importante que as próprias pessoas, não importam suas razões, seus sentimentos.

Sou um depósito de rótulos ambulante. Logo eu, que me esforcei tanto para me livrar de etiquetas e marcas. Principalmente nesses tempos de debates acalorados e pouco racionais: esquerdista, marxista, carnista, esquerdopata, lulopetista, esquerdomacho, comunista… as palavras viraram armas, pau e pedra; perderam sua função social de possibilitar a comunicação e, principalmente, o entendimento entre as pessoas.

A rotulagem é sempre uma apropriação não autorizada do próximo, cujas finalidades maldosas são sempre excluir, marcar, denegrir, pisar, machucar, etc. Logo, deve ser combatida em todas as suas formas.

Um consolo é que a linguagem insiste em ser neutra, ainda que tentem fazer dela uma arma ideológica.


Sobre o autor desse artigo

*Osmar Carvalho é colaborador do AP em São Paulo.

Acompanhe nossa Coluna Opinião!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s