Em nome de Jesus, e por Marielle, ainda daremos frutos


“Marielle era como Jesus, conectava a favela ao parlamento, conectava os excluídos, os injustiçados, os ameaçados.”

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Marielle Franco foi morta a tiros, no centro do Rio, aos 38 anos. Reprodução editada.

Uma boa parcela de cristãos é contra a vida e os feitos de Jesus Cristo e talvez nem saibam disso. A questão do atravessamento institucional e da transformação de uma relação numa religião minou as possibilidades de abertura, criação e militância do Cristo histórico. A institucionalização e a oficialização da religião por Constantino, em Roma, começaram a esvaziar o caráter de luta e resistência que havia ali. O Cristianismo realmente se transformou num platonismo para o povo, e precisamos retomar a luta da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) por justiça social.

Isso gera grande tristeza, porque começamos a olhar para o céu e esquecer da terra. Esquecer que a terra é nossa herança, uma herança que precisa ser conquistada e cuidada. Precisamos multiplicar pães e peixes, gritar não à condenação de minorias e grupos socialmente vulneráveis, insistir na justiça social e étnica e na redistribuição de bens e riquezas.

Jesus olhava para o céu e para terra e, dessa forma, ele decidiu ser a conexão entre ambos. Marielle era como Jesus, conectava a favela ao parlamento, conectava os excluídos, os injustiçados, os ameaçados. Na militância de Marielle não havia distinção de pessoas e nem de famílias negligenciadas, sejam moradores da favela, sejam policiais, sejam mulheres, negras, negros, LGBTs. Marielle trazia em sua história a costura de muitos pertencimentos – e por eles, e com eles, lutou por justiça.

Jesus nos ensina duas lições preciosas e únicas sobre morrer por Ele e sobre luta e morte por causa da justiça, ou seja, pelos pobres, oprimidos e injustiçados :

“Quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.” (Mateus 16:25)

“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” (João 12:24)

Esse é o legado de Marielle, cruelmente assassinada por defender Direitos Humanos. Hoje, inspirados pelo Cristo e por ela, podemos seguir com mais força ainda, sabendo que suas mortes serviram de semente e motivação para que o bem renasça ainda mais forte. Que a vida de Marielle seja achada em cada um de nós e se multiplique em luta, resistência, amor e conexão.

Em nome de Jesus – e por Marielle – ainda daremos frutos!

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