Editorial | Marielle lutou pelos pobres e minorias


“Marielle não legislou em causa própria; pelo contrário, tomou sobre si as dores dos outros.”

A vereadora Marielle Franco (PSOL-RIO) foi assassinada a tiros no centro do Rio. Foto: Reprodução editada.

É possível matar uma pessoa. Mas sua ideia, seu legado, sua força, sua coragem, sua subversão e seu amor jamais morrerão. Estes permanecem vivos em milhões de Marielles. Vereadora Marielle Franco (PSOL-RIO): mulher negra, militante, da favela, mulher de coragem. Como militante subversiva, não se calava diante da injustiça contra os pobres. Defensora da vida e do direito à dignidade humana, sujava os pés nas vielas e ruas das favelas do Rio de Janeiro.

Quinta vereadora mais votada do Rio, Marielle denunciou exaustivamente, e sem medo, a opressão do estado contra os pobres das favelas, a retirada de seus direitos e a ocupação das forças armadas com sua maneira truculenta no tratamento aos mais fracos. Como política atuante – defensora dos direitos humanos -, tomou partido: preferiu ficar do lado dos oprimidos – não se aliou aos opressores.

Lutou contra a redução da maioridade penal; defendeu as causas dos indígenas, das mulheres, dos negros e dos homossexuais; exigiu transporte público de qualidade e com ar condicionado; entre outras lutas.

Não legislou em causa própria; pelo contrário, tomou sobre si as dores dos outros. Digna de uma profetiza itinerante e subversiva, certamente seu legado ficará na história!

A morte brutal, a tiros, de Marielle Franco – na última noite de quarta-feira  (14), no bairro de Estácio, centro do Rio – é motivo de pesar para seus familiares, assim como para todos e todas que lutam pela causa dos excluídos. Contudo, ao mesmo tempo, também anima milhões de mulheres e homens em um brado de esperança, reanima as forças daqueles que lutam ao lado dos pobres, negros e favelados.

Seu sangue de justiça respinga de maneira positiva em todos e todas que lutam por um mundo melhor, por uma sociedade igualitária e fraterna. Diante de um estado de exceção, em um contexto de corrupção no Rio, onde predomina a opressão aos mais fracos, devemos exigir investigação séria e transparente, onde um assassinato político jamais pode ser descartado.

Colaborou nesse Editorial:

Marcos Aurélio dos Santos é Teólogo, facilitador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEED) no Rio Grande do Norte e Coordenador do Espaço Comunitário Pé no Chão. Escreve como colunista do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e do Ativismo Protestante.

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