Editorial | O sentimento como força motriz da realização


“Se com sentimento nossos atos de justiça são considerados como trapos de imundícia, diante de Deus, o que faremos sem ele?”

Família chora desolada ao saber que seu quiosque será demolido, na Praça Miami, Vila Kennedy – Rio. Reprodução editada.

A gestão por competências é a filosofia organizacional da vez, quando se trata de atribuir valor profissional a alguém. Porém, na instituição Igreja, não basta ser competente no sentido corporativo selvagem: é preciso coração.

Muito se fala em ter competência, ser competente, competitivo. São palavras afins, mas pouco entendidas pela maioria. Como as igrejas também são organizações, cujos colaboradores também precisam ser competentes, cabe analisarmos, ainda que brevemente, a definição e a aplicação desse conceito pelos cristãos.

Em uma definição simples, competência é a capacidade de fazer bem feito algo que nos foi delegado.

Mas, na verdade, a competência é um conjunto da tríade conhecimento, habilidade e atitude. Em um sentido canônico, poderia ser chamada de trindade, pois dá a ideia de maturidade e completude do ser profissional.

Dissecando essa trindade, conhecimento está relacionado ao que está na mente do indivíduo, o que ele aprendeu estudando, analisando, observando – é algo só dele, tácito.

Habilidade é a prática que alguém adquire com a repetição de uma técnica, a capacidade de realizar o conhecimento com destreza, tornando-o útil à sociedade; é o trabalho braçal.

Por fim, atitude é a vontade de o indivíduo querer fazer, realizar. É a própria ação (pró-ativo).

Mas, deixando o mercado de lado, e no trato mais humano com o próximo, na atitude cristã de ajuda aos mais necessitados, somente essas qualidades bastam e importam?

Existe algo que poderia (e deveria) ser acrescentado a essa trindade: o sentimento, ou seja, a capacidade de ser sensível à realidade do outro, de se comover. Olhar sem sentir parece ser o mesmo que não ver nada. Ainda que se queira fazer algo, tenha plena noção da necessidade de fazer, caso não se sinta isso, nada será realizado. Ou será realizado pela metade, ou de forma errada. Para ajudar o próximo é preciso sentir suas dores, suas razões, sua história. Segundo Sartre, para falar por todos, é preciso ser todos. O apóstolo Paulo também nos deixa essa lição: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.” (1 Coríntios 9:22)

Você tem sido competente com as pessoas? Ou está disposto – como a gestão do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB) – a passar com o trator por cima do sofrimento alheio? Se com sentimento nossos atos de justiça são considerados como trapos de imundícia, diante de Deus, o que faremos sem ele? O que Crivella fez com os pobres comerciantes daquela Praça Miami, abandonada pelo poder público, e revitalizada por eles, na Vila Kennedy.

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