Torturada e morta pela ditadura militar: Aurora Maria Nascimento Furtado


“[Aurora] Foi torturada desde o momento de sua prisão na presença de vários populares que se aglomeravam ao redor da cena. Aurora foi conduzida para a Invernada de Olaria, onde continuou sendo torturada por policiais do DOI-CODI/RJ e integrantes do Esquadrão da Morte.”

Aurora Maria Nascimento Furtado. Reprodução editada.

No dia 10 de novembro de 1972, o Jornal Nacional informou que a “terrorista” Aurora Maria Nascimento Furtado, 26 anos, havia sido morta em um tiroteio. Nascida em São Paulo, Aurora era militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) – organização comunista revolucionária criada em 1968, por Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva, dissidentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que compunha a luta armada contra o regime militar. A advogada Eny Moreira, que defendeu vários presos políticos na ditadura, relata como encontrou o corpo da jovem, quando os pais da estudante de psicologia morta lhe pediram para ir liberá-lo. Havia muitos sinais de tortura.

“Quando recebi o corpo, Aurora estava literalmente dilacerada: afundamento no maxilar, não tinha unhas nem os bicos dos seios, um dos olhos pendurado, rasgo do umbigo até a vagina, fratura externa no braço. A última coisa que fizeram com ela foi pressionar com um torniquete de aço seu cérebro (conhecido como “coroa de cristo”); por isso, o olho saltou”, relata Eny.

Aurora era prisioneira do Destacamento de Operação Interna (DOI), órgão subordinado ao Centro de Operações e Defesa Interna (CODI) do Rio de Janeiro. Ambos foram criados na ditadura militar – como extensões da Operação Bandeirante (Oban), que tinha a missão de identificar, localizar e prender integrantes de grupos considerados subversivos. Os órgãos tinham a incumbência de garantir a segurança nacional, através do controle de informações, e atuavam na repressão aos opositores do regime militar. Porém, foram transformados em porões de tortura e extermínio de prisioneiros.

Segundo o site da Comissão da Verdade do Estado São Paulo, órgão criado para investigar e documentar graves violações dos direitos humanos durante o regime militar:

“[Aurora] Foi torturada desde o momento de sua prisão na presença de vários populares que se aglomeravam ao redor da cena. Aurora foi conduzida para a Invernada de Olaria, onde continuou sendo torturada por policiais do DOI-CODI/RJ e integrantes do Esquadrão da Morte.

Aurora viveu os mais terríveis tormentos nas mãos dos torturadores que, além de utilizarem os tradicionais pau-de-arara, sessões de choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras, aplicaram-lhe a “coroa de Cristo”, ou torniquete, uma fita de aço que vai sendo gradativamente apertada, esmagando aos poucos o crânio da vítima.”

No dia 10 de abril de 2013, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo fez a 30ª audiência pública sobre o caso, chegando às seguintes conclusões e recomendações para o caso:

“Conclusão: Aurora Maria Nascimento Furtado foi morta sob tortura pelos agentes do DOI-Codi do I Exército do Rio de Janeiro.

Recomendações: Retificação do Atestado de Óbito; apurar a responsabilidadedos agentes citados e investigar se houve outros agentes envolvidos na prisão e morte de Aurora Maria Nascimento Furtado; que o Estado brasileiro reconheça e declare a condição de anistiada política de Aurora Maria Nascimento Furtado, pedindo oficialmente perdão pelos atos de exceção e violações de direitos humanos que foram praticados contra essa morta.”

A conclusão da Comissão Nacional da Verdade (CNV) também reconheceu a tortura e a morte de Aurora pelos militares:

“Diante das investigações realizadas, conclui-se que Aurora Maria Nascimento Furtado morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura implantada no país a partir de abril de 1964. Recomenda-se a retificação da certidão de óbito de Aurora Maria Nascimento Furtado, assim como a continuidade das investigações sobre as circunstâncias do caso, para a identificação e responsabilização dos demais agentes envolvidos.”

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