Jesus, o libertador das mulheres oprimidas

Diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka (centro), em marcha de 2015 pela prioridade às mulheres na Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável Foto: ONU Mulheres/Ryan Brown, editada.

A mulher samaritana. A mulher de seis maridos.

Cansado, Jesus vai a um poço beber água. Quando chega, encontra uma mulher samaritana, que às 15h da tarde foi tirar água no poço que ficava em Sicar – nas terras que Jacó havia dado ao seu filho mais moço, José.

Jesus inicia um diálogo com a mulher, que vai por perspectivas religiosas e étnicas. Mas não são esses aspectos que precisamos olhar. Neste texto, podemos analisar e desconstruir a narrativa machista histórica que vem sendo contada quando os “pregadores” olham para esse texto e fixam seus olhares nas palavras de Jesus: ” Vai lá e busca o seu marido”.  A mulher responde: “Não tenho marido”.

Jesus diz à mulher: “Você disse a verdade, realmente você não tem marido, pois já teve cinco maridos, e o que você tem agora não é teu marido.” A mulher responde com alegria: “vejo que tu és profeta.”

Quando leem o diálogo, alguns pregadores chamam essa mulher de “vadia”, prostituta e outros palavrões, possuídos por um “demônio” chamado moralidade.

Contudo, o texto não abre margem para tal interpretação. Ao lermos o texto pela ótica emancipatória de Jesus, encontramos um Jesus libertando a mulher das garras de uma cultura machista, onde homem domina a mulher como um objeto. Jesus diz àquela mulher que os cinco homens foram “maridos”, mas não amaram como esposa, como mulher. Nunca permitiram ela ser mulher. E do sexto, Jesus disse: sai fora porque não é seu marido, pois está violando o seu direito de ser mulher.

A mulher samaritana passou por seis homens que exerciam poder legal de repúdio sobre ela, o direito de dizer se queriam ou não ficar com ela. Exerciam o poder sobre o seu corpo, os seus desejos, os seus afetos e o poder sobre sua identidade. A mulher ao se encontrar com Jesus passa a ter o poder sobre ela mesma, isto é, empoderamento e autonomia.

A mulher sai feliz, deixa o cântaro; e corre para pregar a libertação.


Sobre o autor desse artigo:

Luiz Ricardo da Costa é teólogo, pastor e ativista social, especializado em cultura contemporânea e inovação social pela UFRJ.

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