Opinião | Qual igreja você não frequentaria?

“Não frequentaria uma igreja que deixa o pobre caído, o marginalizado caído a beira do caminho.”

Foto: Ativismo Protestante.

Eu não frequentaria uma igreja onde a comunhão é substituída por programas de entretenimento gospel;

Não frequentaria uma igreja onde 90% da receita é investida em vitrais, porcelanatos, mármores, vidros, tijolos e etc.;

Não frequentaria uma igreja onde os rituais não passam de rituais, sem nenhum significado pessoal e relacional;

Não frequentaria uma igreja onde o Espírito santo é substituído por meninices psicológicas, manipuladas por líderes delirantes em seus delírios de poder;

Não frequentaria uma igreja onde Deus é PODER e não AMOR;

Não frequentaria uma igreja onde o vento do Espírito, que sopra onde quer e como quer, é substituído por coisas prontas, que são apenas chicletes que perdem o seu sabor; onde no ano seguinte será inventado mais um método, para venderem livros e conferências;

Não frequentaria uma igreja cuja ação social no mundo é como uma isca que leva mais peixes para o seu aquário; pois o serviço, o doar e o amar não são um fim em si mesmo.

Não frequentaria uma igreja que fala do pobre, fala da sociedade, fala do serviço, escreve e fala sobre amor, lota auditórios, mas não suja os seus pés na lama da realidade;

Não frequentaria uma igreja onde o pregador diz que o templo não é casa de Deus, mas sim as pessoas; porém não vivem sem o templo;

Igrejas lideradas por pastores que falam mal do dízimo, mais não vivem sem ele;

Igrejas que falam bem do dízimo, mas não sabem para que realmente serve;

Não frequentaria uma igreja onde o milagre é tão natural que já extrapolou o sobrenatural, que se tornou um show da fé;

Não frequentaria uma igreja onde a doação financeira de seus fiéis é moeda de troca, ou investimento em uma previdência privada celestial. Que em vez de ser investido em pessoas, é investida em carros de luxo, programas de TV, rádio e templos megaluxuosos;

Não frequentaria uma igreja que substituiu a graça pela lei, onde a salvação é para obedientes e não para pecadores: uma igreja farisaica;

Não frequentaria uma igreja que deixa o pobre caído, o marginalizado caído a beira do caminho, passando de largo por que tem muita coisa pra fazer no culto;

Não frequentaria uma igreja cujo templo são os tijolos, não são as pessoas;

Não frequentaria uma igreja que não exalta o ‘amai-vos uns aos outros, sujeitai-vos uns aos outros, perdoai-vos uns aos outros, tenha misericórdia uns dos outros e ensinai-vos uns aos outros’; onde as relações não são fortalecidas nas fraquezas e sim no jogo de poder e interesses individualistas. Não, eu não frequentaria tal igreja;

Não frequentaria uma igreja que não entendeu o que é discernir o corpo, isto é, ser corpo e nada mais;

Não frequentaria uma igreja que ensina que Jesus é evangélico, neopentecostal, pentecostal, batista, assembleiano, metodista, presbiteriano e todos os que existem por ai;

Não frequentaria uma igreja intolerante com: muçulmanos, candomblecistas, católicos, kardecistas, umbandistas, judeus, budistas, xintoístas, gregos, romanos, brasileiros, americanos, preto ou brancos, ricos, LGBTs e pobres.

Não frequentaria uma igreja que não ensine que Jesus é a pura vida, a vida mais pura e imaculada para ser vivida, sem os pedágios impostos pela religião evangélica, com sua lógica de crédito e débito para as relações com o divino; com os seus ritos, dogmas e códigos morais;

Não frequentaria uma igreja cuja busca não é pela unidade, e sim pela verdade exclusivista e individualista;

Não frequentaria uma igreja que não ensine que a salvação é um caminho para dentro de si mesmo, e não uma eterna experiência insatisfatória consigo mesmo, com o outro e com o Pai eterno;

Não frequentaria uma igreja que o SER já foi substituído pelo TER;

Não frequentaria uma igreja cujas canções e pregações subsituiram o pronome EU pelo NOSSO; onde o ensino é PÃO MEU e não PÃO NOSSO;

Não frequentaria uma igreja cujos profetas são meros animadores, meros exorcistas de demônios esquizofrênicos, delirantes e irracionais; que não enxergam que o pior demônio são aqueles que carregamos com toda lucidez, a saber: a vaidade e o orgulho;

Não frequentaria uma igreja cujo pastores já não se lembram mais da palavra: “Pedro, tu me amas? Então apascenta minhas ovelhas”. Ovelhas que se chamam ‘humanidade’, independente de qualquer posição e jornada de vida.


Sobre o autor desse artigo:

Luiz Ricardo da Costa é teólogo, pastor e ativista social, especializado em cultura contemporânea e inovação social pela UFRJ.

Acompanhe nossa Coluna Opinião!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s