Editorial | A luta de classes

Manifestação contra a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4, na Praça da República – São Paulo. Imagem: Ativismo Protestante.

As eleições nacionais estão chegando, e precisamos de critérios para votar e eleger um presidente que governe para a classe trabalhadora e para o povo. Fora da esquerda, do socialismo, do comunismo, só resta a narrativa e o modo de viver da burguesia. Isso se aplica tanto aos operários modernos, os proletários, quanto à classe média, embora esta ainda aja como um opressor em relação aqueles.

Mas, segundo Marx e Engels afirmaram no ‘Manifesto Comunista’, “de todas as classes que hoje se opõem à burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autêntico”.

Ainda segundo Marx e Engels, uma revolução que leve ao aniquilamento da burguesia depende do grau de consciência política e social das pessoas, principalmente do proletariado. Essa consciência vem da própria opressão burguesa, pois à medida que aumenta a distância econômica entre patrão e operários, estes aumentam seu desejo de justiça.

Embora tenhamos conseguido triunfos pontuais – com políticas educacionais reformistas e paleativas, mas que de alguma forma inseriram parte do povo no seleto grupo dos acadêmicos; e com uma tímida política social de transferência e distribuição de renda -, ainda estamos longe dessa maturidade cognitiva. Essas pequenas vitórias não têm um efeito revolucionário imediato, mas levam a classe trabalhadora à união necessária para o grande momento de transição social.

A adesão da classe média e de parte da burguesia ao ideal proletário ajudam nesse processo de amadurecimento, pois trazem consigo elementos que aceleram o crescimento, como um bom fermento que faz crescer a massa. Por exemplo, o conhecimento e posições de influência.

A luta de classes não é uma invenção marxista, mas uma realidade das contradições sociais nascidas da relação patrão-empregado já percebida por outros antes de Marx,  como observou o filósofo Leandro Konder, em seu livro O que é dialética:

“Marx não inventou a luta de classes: limitou-se a reconhecer que ela existia e procurou extrair as consequências da sua existência. Antes de Marx, diversos autores já tinham enxergado a questão. James Madison, ex-presidente dos Estados Unidos, por exemplo, escreveu, em 1787: ‘Proprietários e não proprietários sempre formaram interesses diversos dentro da sociedade.'”

Se toda luta de classes é uma luta política, logo, a polarização será inevitável: de um lado, partidos de esquerda coligados, como PT, PSOL, PCB e PC do B; do outro, a direita, com PSDB, DEM, PP, etc. Ou seja, só há dois lados, dois caminhos a seguir. O mais excelente é o dos trabalhadores.

Notas:
Burguesia: As pessoas que detêm os meios produção, como fábricas e máquinas
Proletariado: As pessoas que não detêm meios de produção, sendo a venda da sua força de trabalho seu único meio de sobrevivência.
Classe média: Pequenos comerciantes, intelectuais, pequenos fabricantes.

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