Opinião | A fascinante história de amor entre Marx e Jenny

Jenny e Marx. Reprodução.

O lado romântico da história de Karl Marx é tão ou mais fascinante do que a história d’O Capital’.

De família aristocrata, Jenny von Westphalen pertencia à elite prussiana da época. Marx a conheceu quando passou a frequentar a casa de seu pai, o barão Ludwig von Westphalen, que era Conselheiro do governo prussiano – na cidade de Treves, uma província alemã do Reno, onde Marx nasceu. Jenny era quatro anos mais velha que Marx; o amor os uniria para sempre, até que morte os separasse.

Marx e Jenny ficaram noivos secretamente em 1836 e só se casariam oito anos depois, devido a forte resistência de ambas as famílias, por se tratar de um casamento desigual financeiramente.

Seu amor intenso por Jenny – que abandonou o palácio e sofreu voluntariamente todo tipo de privação, fome, sede e frio, por amor ao plebeu – também merecia um livro em três volumes. Marx poderia escrever sua história de amor, pois, antes de se dedicar à filosofia, dedicou-se à literatura e à poesia. Nessa época ele escreveu um ato de um drama, um romance satírico e alguns poemas líricos. Depois abandonou tudo isso.

Embriagado pela beleza da jovem Jenny, Marx assim lhe externou seu sentimento, em uma carta de 1865:

“Todos os dias, fui em peregrinação à casa velha dos Westphalen, na rua dos Romanos, que me interessou mais do que todas as antiguidades romanas, porque me lembrou os tempos felizes da minha juventude, quando ela encerrava meu tesouro mais caro. Além disso, todo dia e por quase toda parte, me pedem notícias daquela que era então a mais bela jovem de Treves e rainha dos bailes. É diabolicamente agradável para um homem ver que sua mulher continua a viver assim, como uma princesa encantada no espírito de toda uma cidade.”

A dor pelo fim da parceria de uma vida toda de cumplicidade com seu grande amor foi com certeza o maior abalo da vida sofrida de Marx. Ela era mais do que uma esposa. Inteligente, dava conselhos e opiniões a Marx, que a ouvia e considerava, antes de publicar seus artigos. Jenny morreu em 2 de dezembro de 1881, vítima de complicações de um câncer de fígado. Marx definhou, como mostra um trecho de uma carta dele, de 11 de novembro de 1882, a seu melhor amigo e parceiro em seus escritos, Friedrich Engels:

“Você sabe que poucas pessoas detestam o patético-demonstrativo tanto como eu. Mas, aqui entre nós, eu lhe estaria mentindo se não confessasse que meu espírito vive atualmente em grande parte absorvido pela recordação da minha mulher, que foi a melhor parte da minha vida.”

O martírio causado pela ausência de Jenny duraria até 14 de março de 1883, quando Marx faleceria, vítima de um abcesso no pulmão.

Pelo seu amor, sua renúncia, sua motivação, seu cuidado e sua dedicação a ele, Jenny merece parte do reconhecimento e da glória dada a Marx; talvez a metade.

Assim como não dá para falar de Marx sem ‘O Capital’, não dá para falar sem Jenny. Uma verdadeira história de um amor verdadeiro.


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é colaborador do AP em São Paulo .

Acompanhe nossa Coluna Opinião!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s