Opinião | Bolsonaro piorou a humanidade


“Bolsonaro representa bem a antipolítica. Aquela que trabalha com medos e ódios de cidadãos.”

Jair Bolsonaro – PSC/RJ. Foto: Agência Brasil Fotografias, editada.

Em seu livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles afirmou que “o homem é um animal político, destinado a viver em sociedade”. Antes de ser religioso ou outra coisa, político. Isso implica convivermos harmoniosamente com diferenças, dividindo um espaço comum.

Defendendo essa tese na redação do ENEM, há uns dez anos, citando Jesus e seu amor pela humanidade como exemplos e Hitler e seu nazismo como antíteses, eu consegui uma bolsa integral para Engenharia pelo PROUNI. Foi assim que eu consegui me formar em um curso superior.

O tema da redação era “diferenças”, e usava imagens e textos que falavam sobre negros, brancos, índios, judeus, cristãos, candomblé, etc.

Se fosse nos dias de hoje, eu certamente usaria o deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) como antítese no lugar de Hitler, pois o texto ficaria bem delimitado, mostrando não ser algo genérico, e contextualizado, abordando um problema real e imediato da nossa sociedade. Esses dois critérios ajudariam na nota final.

De alguma forma, eu consegui defender Jesus diante da banca examidora, mesmo consciente do risco que corria, por abordar o tema sob uma ótica religiosa. Além disso, consegui convencer os corretores de que Jesus é bom e Hitler era mau.

Hoje, mesmo com cem vezes mais conhecimento e maturidade, não consigo convencer muitos cristãos da mesma coisa. Mas Bolsonaro consegue convencê-los do contrário: o militar torturador da ditadura, Carlos Alberto Brilhante Ustra, foi um herói nacional.

Segundo o site Memórias da Ditadura, Ustra nasceu em 1932, foi coronel do Exército brasileiro e chefiou o DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, entre 1970 e 1974. Esse foi um órgão de repressão durante o regime militar. Nesse período, Ustra ficou conhecido como Major Tibiriçá

Ainda de acordo com o site:

“Em 2008, Ustra se tornou o primeiro militar a ser reconhecido como torturador pela Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo deu ganho de causa à Ação Declaratória da família Teles, que o acusava do sequestro e da tortura de César, Maria Amélia, Criméia, Janaína e Edson Teles, estes últimos com apenas 5 e 4 anos respectivamente. A ação teve como objetivo que o Estado brasileiro declarasse oficialmente que Ustra foi um torturador. A defesa de Ustra apresentou recurso, negado pela Justiça em agosto 2012.

Em junho de 2012, o coronel reformado também foi condenado a indenizar por danos morais a companheira e a irmã de Luiz Eduardo Merlino, morto nas dependências do DOI-Codi em 1971.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 2013, o militar negou que tivesse cometido algum crime durante o período e acusou a presidenta Dilma Rousseff de ter integrado quatro grupos terroristas. À mesma comissão, o ex-sargento do Exército Marival Chaves afirmou que Ustra era “o senhor da vida e da morte” no DOI-Codi.

O coronel Ustra morreu no dia 15 de outubro de 2015, aos 83 anos, no hospital Santa Helena, em Brasília, internado com um câncer. Sua morte aparentemente serena, impune e ao lado da família se contrastou com a angústia dos familiares de desaparecidos na ditadura, que até hoje não puderam velar seus entes queridos, nem completar a travessia do luto.

Bolsonaro representa e pratica bem a antipolítica. Aquela que trabalha com medos e ódios de cidadãos, em cenários de desconfiança e descrença nas instituições democráticas e na política. Tal é o cenário do país atualmente.

Evidências de tempos de extremismo, fundamentalismo, intolerância e radicalismo que já estão aí, e que ainda podem piorar.


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é colaborador do AP em São Paulo

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