Osmar Carvalho | O “amar de tal maneira” de Deus


“Se há uma palavra que expresse se preocupar com o próximo, indo contra toda a racionalidade, seja ele um parente, um amigo, um estranho, um carrasco, um homossexual, um bandido, essa palavra é amor.”

osmar
Largo da Batata/SP – Osmar Carvalho. Foto própria.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
João 3:16

Não trago nada novo, nem poderia, já que pregar nada mais é do que repetir verdades bíblicas. Porém, cada um na sua instrumentalidade, dessa forma Deus vai transmitindo sua mensagem de geração em geração, sem tédio nem enfado nem canseira. Não trago uma reflexão também, mas uma análise de João 3:16.

A parte b do versículo 16 é, na verdade, uma repetição do versículo 15, demonstrando a importância da afirmação de Jesus, de que creiamos Nele. Porém, Ele introduz a parte a no versículo 15, formando o 16, explicando por que aquele que crê Nele não morre, não sucumbe: porque Deus amou o mundo de tal maneira, com tal grandeza, com tal incompreensão, de inenarrável forma. E é com esse “amar de tal maneira” que deveríamos amar, incondicionalmente.

Ora, se o amor é para o mundo, logo é para nós, há certeza do amor de Deus por nós nessa afirmação de Jesus. O amor também é para os de fora da igreja, ainda que esses o desprezem, preferindo a morte. Parece contraditório, mas ai está a grandeza do alcance desse amor, algo que não se encontra em nenhum lugar, somente no nascimento, na entrega e na morte sacrificial de Cristo. Aleluia!

Esse paradoxo de amar o mundo, com os crentes e não crentes, é facilmente abandonado, tomando apenas o amor que conhecemos em nosso cotidiano como exemplo. Vou usar ele, pois, ao contrário do amor de Deus, esse já foi pensado e conceituado, ainda que em partes, por muitos pensadores no decorrer da história, sendo possível falar dele e ser compreendido.

Embora haja divisões de amor, podemos tomar um amor genérico como exemplo, que atenda nosso intuito aqui, pois não há como aprofundar todas as formas. Cada um saberá identificar a forma a que estou me referindo, se não por nomes técnicos, por nomes “sentidos”, como amizade, família, etc. O intuito na verdade é a essência do sentimento, o cuidado pelo outro, pelo próximo. É essa a essência do amor de João 3:16 também: o cuidado com o outro.

Quantas situações em nossas vidas nos põem em cheque conosco mesmo, quando exige de nós que tenhamos cuidado para com o próximo, ou seja, amor? Quando um ente querido erra, superamos seus piores erros, pois temos esse amor fraternal em nós. Quando um amigo nos magoa, perdoamos, por causa desse cuidado com o próximo. Quando amamos alguém que nos despreza, procuramos amor para superar. Muitas vezes, quando esses exemplos acontecem em nossas vidas, não conseguimos achar esses amores para esses momentos. Parece que falhamos como ser humano, que nosso amor é do tamanho de uma cabeça de agulha, ou que sequer um dia tenhamos amado de verdade. Pior ainda, parece que estamos amando o errado.

Parece loucura, paradoxo, como o amor de Deus por todo o mundo. Porém, há uma palavra para essa loucura, e o nome é amor. Se há uma palavra que expresse se preocupar com o próximo, indo contra toda a racionalidade, seja ele um parente, um amigo, um estranho, um carrasco, um homossexual, um bandido, essa palavra é amor. O amor nos leva a amar alguém além de nós mesmos, negamos a nós, para aceitar o outro, às vezes querendo tudo de bom para a pessoa, ainda que isso nos machuque, nos corroa como um câncer por dentro.

Quando se ama dessa forma, não se para. Nunca! Mesmo quando nos batem na face, nos desprezam, nos tacham de louco. Não há desistência, há resistência! Resistimos pelos gays, pelos Direitos Humanos, pela recuperação do encarcerado, pela liberdade, pelos refugiados, pelos sem teto, sem terra. Quando todos param, seguimos amando.

Se pudéssemos desistir, ouvir a razão, seguir a multidão, abandonar o amigo que errou, desprezar a pessoa que nos desprezou, negar um ente querido, desejar a pena de morte ao que errou, isso não seria amor, seria qualquer coisa desprezível, pela qual não vale a pena lutar. Mas não é o que isso é. Não é o que esse “amar de tal maneira” de Deus é.

Portanto, é com esse amor que Deus nos ama, ainda que erremos, que o neguemos, que o crucifiquemos novamente. É com esse mesmo amor que devemos amar o próximo. E esse amor nos garante que Deus quer que tenhamos tudo de bom, assim como ele quis que até aqueles que o desprezassem tivessem, pois o sol nasce para o justo e para o injusto. Nós também temos a obrigação de desejar o bem ao outro, seja ele quem for. Ainda que isso vá de encontro a tudo que tenhamos de mais precioso. Nosso amor precisa superar o dos escribas e o dos fariseus, que só amavam os que eles queriam amar.


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é engenheiro e colaborador do Ativismo Protestante em São Paulo.

Acompanhe nossa Coluna Teologia!

Um comentário

  1. Para que: todos aqueles que Nele crê não pereça mas tenha a vida eterna, muitos querem ser amado e aceito por Ele mas não querem crer Nele. parece que existe uma condicional ai não? este amor de Deus ele é incondicional até o calvário foi o designo do plano da salvação para toda a humanidade que estava oculto em cristo, mas que á partir do momento em que Ele é glorificado se passa a ser condicional, pois ate no Amor há leis…

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