Editorial: Liberar o casamento gay é liberar a verdade


“Não temos que temer as verdades que venham da liberdade plena, das liberações, sejam elas quais forem.”

AdobeBridgeBatchRenameTemp2RR_Parada_Gay_2
São Paulo – 21ª Parada do Orgulho LGBT, com o tema Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todas e todos por um Estado laico, na Avenida Paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil). Imagem editada.

Essa é uma reflexão acerca da liberdade e da verdade, tomando como base a liberação do casamento gay nos EUA. O título que demos a essa breve reflexão parece conflitar com nossa posição religiosa protestante, mas não. Na verdade, queremos expor uma visão de liberdade e verdade norte-americana e a visão europeia, que é seguida pelo Brasil. Com isso, esperamos convencer ou perturbar um pouco os pensamentos mais conservadores, principalmente os dos cristãos protestantes: o casamento gay nos traz a verdade, a existência dos próprios gays.

A visão da esquerda brasileira e europeia acerca da relação verdade-liberdade vem nessa ordem: a busca e o cuidado pela verdade devem prevalecer, para que se obtenha a liberdade. Essa visão filosófica vem do iluminismo, que tem a busca pela verdade endeusada, principalmente a busca da verdade por métodos científicos. A ciência era a deusa da verdade na idade moderna.

Para a esquerda americana, a relação é o contrário: o cuidado pela liberdade levaria à verdade. Essa visão filosófica é levada à política. Ou seja, para os americanos, quanto mais liberdade, mais a verdade aparecerá por si própria. Ao contrário da Europa, que cuida da liberdade, deve-se velar pela liberdade, e a verdade apareceria por seus próprios esforços.

É claro que a liberação do casamento gay soa ridícula, pois um pedaço de papel nunca impediu e nunca impedirá duas pessoas de viverem juntas e se relacionarem. Mas uma coisa é certa: sua liberação tirou muitos do armário e os levou às ruas. Estão por ai em toda parte agora, se beijando, se assumindo, enfim…apareceram!

A verdade é que sempre estiveram por aí, escondidos, reprimidos pela falta de liberdade: a liberação! Bastou a liberdade (liberação) vir e parece que se multiplicaram? Não! Sempre existiram, mas, sob a visão europeia, ainda não eram uma verdade, não eram comprovados pela ciência. Logo, não tinham a liberdade de ser.

O próprio conceito de verdade, aquele que vem do iluminismo da idade moderna, está agonizando pelo relativismo pós-moderno. Não há mais espaço pra verdades eternas, mas apenas verdades provisórias, até que outras verdades apareçam.

A liberdade é um caminho para que a verdade apareça. E parece estar funcionando isso. Não temos que temer as verdades que venham da liberdade plena, das liberações, sejam elas quais forem. Deus mesmo parece concordar com a filosofia de esquerda americana, pois ele mesmo deu liberdade total aos seres humanos, para fazerem de suas vidas o que bem entenderem.

Acompanhe nossos Editoriais!

Um comentário

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s