Manifesto | Ativismo Protestante

MANIFESTO CAPA
São Paulo: Manifestantes ocupam o Largo da Batata contra Temer (Greve Geral – 29/04/2017). Foto: Ativismo Protestante, editada.

O séquito progressista de Jesus Cristo

São Paulo, 28 de agosto de 2017

Criado em 13 de dezembro de 2016, o Ativismo Protestante nasceu a partir da ruptura da ordem democrática do Estado de Direito, no caso o Brasil, para questionar as posições pró-impeachment de alguns líderes ligados às igrejas evangélicas, principalmente pentecostais e neopentecostais, e fazer oposição à Frente Parlamentar Evangélica, conhecida como Bancada Evangélica ou Bancada da Bíblia, a qual defende pautas totalmente conservadoras e afronta constantemente a laicidade do Estado, garantida pela Constituição Federal de 1988.

A Bancada Evangélica tem a pretensão de afirmar que fala pelos evangélicos, o que não é verdade, dada a multiplicidade de perfis desse segmento religioso, do qual fazemos parte. Suas pautas também não são as pautas de todos, como o apoio à proibição do aborto, ao projeto Escola sem Partido e à redução da maioridade penal, veementemente defendidos por eles. Nós mesmo somos contra redução da maioridade e contra o Escola sem Partido. Essa postura reacionária da Bancada Evangélica acaba reverberando nas ruas, incitando a violência, o preconceito e a discriminação contra grupos de minorias já perseguidos; por exemplo a comunidade LGBT. Logo, essa “fé” opressora tem que ser confrontada, desqualificada e substituída por uma fé inclusiva e igualitária, para que o Estado contemple todos.

Muitas igrejas evangélicas, bem como os políticos a elas ligados, têm tentado demonizar os fiéis que se assumem politicamente de esquerda, como é o nosso caso, afirmando que as ideologias socialistas são contrárias à Bíblia e ao pensamento cristão. Discordamos totalmente disso, pois as causas da esquerda claramente se parecem com as causas de Cristo, sempre em defesa do coletivo, das minorias e dos mais pobres. Temos como exemplo os movimentos sociais organizados, como o Movimento dos Sem Terra (MST), o Movimento Negro, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros. Essa tentativa torpe de colocar os progressistas como um anti-cristo precisa e será combatida, pelo menos por nós.

As pessoas que nos seguem têm perguntado se há vidas por trás da página do Ativismo Protestante (AP), querendo saber quem são, o que fazem, onde vivem, o que comem e onde congregam, se é que congregam. Cada um aqui tem a liberdade de se apresentar ou não, mostrar a cara, gravar um vídeo, dar entrevista…rsrs. Mas recebemos muitas agressões (bastante elogios também) inbox, nos comentários e essa agressividade e perseguição se refletem em nossas igrejas.

Por isso, muitas vezes preferimos ficar nos bastidores, até porque cremos que isso de estrelato é ilusão, ainda mais fama vinda de redes sociais. Nosso objetivo é propagar nossas ideias progressistas, e isso tem sido muito conflitante, pois nossas lideranças incutiram nas mentes dos incautos que ser de esquerda é do demônio, e ser de direita é de Deus. Principalmente a Bancada Evangélica.

Mas garanto que somos pessoas legais, lindas e que estão dispostas a dialogar com todos. Somos homens e mulheres, solteiros e casados, pais e filhos, pretos e brancos, de exatas e de humanas, trabalhadores e desempregados, do sudeste e do nordeste, de denominações diferentes, como Assembleia de Deus, Batista, Presbiteriana, desigrejados, etc. A maioria não se conhece pessoalmente, pois firmamos contratos sócio-digitais de colaboração, com pessoas que se interessaram e se colocaram à disposição para colaborar. Nossas portas estão abertas para qualquer um que quiser colaborar.

Não recebemos nada por isso, nosso trabalho é platônico, desinteressado de recompensas materiais, mas se quiser doar, aceitamos…só acessar nosso site, no link ao final do texto, no menu “COLABORE”…usamos as doações para pagar a divulgação dos posts nas redes sociais.

De forma simplificada, temos dois termos no nome: um substantivo (Ativismo), que nos nomeia, e um adjetivo (Protestante), que nos qualifica. Ou seja, somos ativistas, lutamos por causas que acreditamos serem moralmente corretas, sejam de ordem política, social ou religiosa.

O ruído das ruas não nos incomoda, ao contrário, nos instiga a exercer o nosso Cristianismo e Espiritualidade. Tudo o que buscamos praticar, aprendemos com Aquele que viveu nas ruas: Jesus de Nazaré.

Porém, nossa luta é indissociável da ética protestante, já que professamos essa crença em Jesus Cristo. Então, procuramos levar e aplicar os ensinamentos de Cristo às causas dos mais pobres, necessitados, e injustiçados, pois assim Ele agiu também. Principalmente através do exercício incondicional do amor, da compaixão e da generosidade.

Ser evangélico progressista é ter que enfrentar o inferno duas vezes: de um lado, a certeza dos crentes de que somos um tipo de anticristo; do outro, o ceticismo da esquerda de que somos realmente progressistas. É ser quase um apátrida político-social. Por que então continuamos? É mais do que ideologia: é chamado! Sim, enfrentamos muita resistência, preconceito e desconfiança por parte da esquerda mais radical, que ainda insiste em negar e barrar a influência religiosa nas questões políticas e sociais. Talvez essas atitudes expliquem a perda de espaço do socialismo em lugares mais pobres e com os mais simples. Elitizaram demais a esquerda? Intelectualizaram demais o discurso? Abandoaram os agora prosélitos evangélicos, por serem “alienados político-sociais”? Natural, depois de tantos anos dominando o cenário político, alguma soberba haveria de nascer em alguns corações e mentes. Nesse sentido, a extrema esquerda tem se mostrado tão intolerante quanto a extrema direita. Porém,  o caminho para reconquistar o espaço perdido pela esquerda nas periferias, principalmente para as igrejas neopentecostais e sua teologia da prosperidade, tem de passar necessariamente pelos evangélicos progressistas. Ao mesmo tempo, evangélicos nos acusam de pregar o marxismo, o que para eles é ser anti-cristo. Nem Karl Marx é anti-cristo, nem nós somos religiosamente marxistas. Para ser socialista, não é preciso ler Marx, basta ler a Bíblia.

Diferenciamo-nos de um evangélico tradicional, pois nos envolvemos nas causas das mulheres (aborto, igualdade de gênero, feminismo), da comunidade LGBT (homossexualidade, preconceito), dos negros (racismo, cotas), da polícia (violência, desmilitarização) etc, mas sem os estereótipos e sem os paradigmas religiosos opressores. Nosso principal objetivo é levantar essas questões, que ainda são tabus e pouco abordadas nas igrejas evangélicas, levando à reflexão e ao debate. Prezamos a liberdade de expressão e o senso crítico.

Pautamos nossas causas nos conhecimentos bíblico e extra-bíblico. Quando entramos num processo de desconstrução de algo comumente aceito, é para fomentar o debate e a reflexão, muitas vezes usando o método dialético de Sócrates, que consiste mais em questionar do que afirmar, a fim de que a verdade apareça espontaneamente, sem imposições, sem violência. Platão chamou esse processo, de trazer a verdade de dentro de um indivíduo à luz, de maiêutica (parto). É isso que queremos, que cada um de à luz o melhor conhecimento e as melhores verdades que há dentro de si.

Sartre dizia que para falar por todos, é preciso ser todos. Logo, buscamos respostas na vivência do próximo, vivenciando sua realidade, ainda que por alguns instantes, participando de debates, protestos, manifestações e lutas. É uma construção existencialista dos nossos juízos de valor e de fato. É a reconstrução do homem por ele mesmo, que também era um ideal de Sartre.

Construa-se! Reconstrua-se!

Ativismo Protestante


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