Bolsonaro, a síntese do atraso político

“Por que a sociedade banca alguém tão ocioso no congresso desde 1998? Em qualquer empresa ele seria demitido por não produzir nada, ou produzir muito aquém do desejado.”

Jair Bolsonaro - PSC/RJ
Jair Bolsonaro (esq.) e seu filho Eduardo Bolsonaro (dir). Foto: Agência Brasil Fotografias

“Eu apelo humildemente aos ministros do STF, que votaram para abrir o processo, para não me condenar, que reflitam sobre esse caso […]”.Essa foi a frase de apelo de Bolsonaro aos ministros do Supremo Tribunal Federal, após saber que virou réu lá, acusado de incitação ao crime de estupro e injúria. Com a deputada Maria do Rosário ele falou alto, mostrou seu lado machão. Agora, com medo, “apela humildemente”, escondendo-se sob a égide da presunção de imunidade parlamentar, segundo a qual, teoricamente, poderia falar o que quiser. Na verdade, a frase mostra o retrato do atraso da política brasileira, personificado nele.

Grite e bata no peito com os ministros do Supremo também, assuma o que disse, é o mínimo a fazer quando se erra!

Esse deputado segue o mesmo caminho do Cunha, Feliciano e mais uns por aí, o caminho do extremismo e negação de qualquer um que o contrarie. Lamentável, pois essas pessoas tiveram essa oportunidade e responsabilidade, que alguns acreditam ser dada por Deus, de governar um país tão importante para a economia global e regional, o país que é uma liderança na América Latina. Mas jogaram tudo fora, por só olharem para um grupo social. Presos em seus delírios de uma “nação de mentes caminhão de japonês”, onde todos pensariam igual, pouco ou nada fizeram em prol do desenvolvimento do país. Nem poderiam fazer, já que, normalmente, são mentes retrógradas e cativas da religião.

Em um país tão cosmopolita e cada vez mais globalizado, está mais do que claro que esse tipo de pensamento, excludente e ofensivo, está fadado ao fracasso. Os que nele insistiram caíram precocemente. Temos como exemplos as recentes derrotas da extrema direita nas eleições europeias, Geert Wilders na Holanda e Marine Le Pen na França. O mundo respirou aliviado.

Além disso, Bolsonaro está em seu sétimo mandato (7×4=28, sim, 28 anos!); você conhece alguma coisa que ele fez de útil para a sociedade, algum projeto que tenha melhorado nossas míseras vidas? Após 25 anos, ele conseguiu que a Câmara dos Deputados aprovasse uma proposta de emenda constitucional (PEC) de sua autoria, estabelecendo que seja dado um comprovante após o voto na urna. Ele defende que as urnas não são confiáveis, e esses comprovantes serviriam para recontagem de votos. A PEC ainda tramita no Congresso. Além disso, apenas dois de seus 177 projetos apresentados (1991-2017) viraram lei, uma que estende a isenção do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para bens de informática e outro que autoriza o uso da “pílula do câncer” (fosfoetanolamina sintética).

O militar da reserva é um funcionário improdutivo na Câmara. Um improdutivo prático, desses que aparentam fazer muito, por causar muito alvoroço. Essa tática é conhecida e condenável no meio corporativo. Quem não conhece ou já conheceu alguém assim no trabalho? Quando muita se esforça, consegue ser mais ou menos, propondo endurecimento de leis contra crianças, adolescentes, etc., como se a política devesse se moldar ao seu rígido pensamento militar: hierarquia, disciplina e punição. O velho legalismo!

Por que a sociedade banca alguém tão ocioso no congresso desde 1998? Em qualquer empresa ele seria demitido por não produzir nada, ou produzir muito aquém do desejado. Na nossa empresa, Congresso Nacional, ele é elogiado e cotado para ser promovido (à presidência!), por muitos.

A ineficiência de Bolsonaro e os crimes pelos quais ele é acusado corroboram a tese de que nossa política ainda está bastante atrasada, pois se tratam de uma discussão acerca da amplitude e dos limites da liberdade de expressão. Estamos discutindo liberdade de expressão ainda, mundo, pois alguns de nossos governantes não sabem fazer bom uso de suas liberdades!

O Supremo Tribunal Federal e a Câmara dos Deputados serão nossos professores, ensinando-nos o que podemos e o que não podemos falar na democracia. Estejamos atentos, como bons alunos, a essa magna aula.

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