Cunha recebia R$ 547 mil de mesada da Odebrecht, diz delator

O ex-presidente da Câmara e deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu R$ 19,7 milhões, pagos em 36 parcelas mensais de R$ 547 mil. A afirmação foi feita pelo ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior, em depoimento ao Ministério Público.

Vídeo: Delator relata repasses a Cunha

Benedicto, que já atuou como presidente da Odebrecht Infraestrutura, disse acreditar que os pagamentos, efetuados entre setembro de 2011 e agosto de 2014, foram feitos pelo setor de Operações Estruturadas da empresa, pois Cunha nunca voltou a falar com ele para reclamar de pendência de alguma parcela. Esse setor ficou conhecido como departamento de propina.

O montante pago a Cunha pela Odebrecht equivale a 1,5% do valor da obra do Porto Maravilha, realizada pela empreiteira no Rio de Janeiro, cobrado por Cunha. Segundo o delator, a mesada recebida por Cunha, durante 3 anos, foi solicitada pelo próprio peemedebista:

“Eu fui procurado pessoalmente pelo deputado Eduardo Cunha […] Ele fez um breve relato do que ele conhecia do Porto Maravilha, que estava em andamento […] Ele, a título de campanhas futuras do PMDB, me pediu que eu fizesse pagamento da ordem de 1,5% do valor liberado para o projeto, em 36 parcelas”.

Em seguida, Benedicto relata ter se encontrado com seus sócios no projeto, representantes da OAS e da Carioca Engenharia, e juntos definiram como seriam feitos os pagamentos:

“Nós conversamos e convencionamos que cada empresa ia tratar desse assunto independentemente. Não seria feito em conjunto […] A partir daí, eu retornei ao doutor Eduardo Cunha e disse que, da parte da Odebrecht, eu faria o planejamento e o pagamento das 36 parcelas de R$ 547 mil […] No meu caso, eu fiz a programação das 36 parcelas, encaminhei para o setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, que era onde fazia os pagamentos ilícitos. E o setor de Operações Estruturadas usava um doleiro, no Rio de Janeiro, chamado Álvaro Luiz. Pelo que eu depreendi, o doutor Eduardo Cunha usava o mesmo doleiro, então havia um acerto entre eles […] O próprio doleiro fazia os acertos”.

Em outra delação premiada, donos da Carioca Engenharia já haviam confessado ter pago R$ 13 milhões a Eduardo Cunha. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Cunha por suspeitas de ter recebido R$ 52 milhões em propina das três empreiteiras participantes das obras do Porto Maravilha, Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia.  A delação de Benedicto trata da parte que coube a Odebrecht.

Benedicto detalhou os motivos de terem concordado em fazer o pagamento milionário a Cunha:

“Porque o deputado Eduardo Cunha era uma pessoa relativamente importante no cenário e porque ele tinha uma pessoa dentro do conselho do FI-FGTS […] Eu não queria ter problemas nesse assunto, então, concordei”.

O FI-FGTS, administrado pela Caixa, foi o órgão responsável pelo aporte de recursos financeiros para a realização da obra. Em 2013, representando a Odebrecht Transportes (OTP), interessada em um novo aporte do FGTS, Benedicto fez nova reunião com Cunha, e outro pagamento de propina foi acertado:

“Eu fui chamado para uma reunião no escritório do doutor Eduardo Cunha, na Nilo Peçanha, 50, sala 3201, onde ele disse: “Júnior, to sabendo que o FI vai fazer um aporte novo, o aporte vai ser feito, não vai ser criado problema, mas eu queria que você registrasse, no ano que vem, na campanha, eu vou “vim” buscar você pra me ajudar com um valor proporcional a esse financiamento. A essa entrada de capital novo na OTP””.

Benedicto aceitou a proposta de Cunha e, segundo ele, o dinheiro foi liberado:

“Eu falei: “Eduardo, veja, não tem problema. Você me procura na campanha, eu vou lhe ajudar”. Então ficou combinado de eu fazer um aporte durante a campanha de 2014, pra que não houvesse nenhum óbice ao aporte desses R$ 430 milhões a Odebrecht”.

De acordo com o delator, o apelido de Cunha, nas planilhas da Odebrecht, era “Caranguejo”.

Eduardo Cunha está preso em Curitiba, condenado a 15 anos e 4 meses de prisão na Lava Jato, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Também é réu em Brasília, suspeito de fraudes no fundo de investimentos do FGTS. As novas delações serão encaminhadas para a Justiça Federal, em Brasília.

Para o advogado de Eduardo Cunha, a delação de Benedicto é falsa.

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