Não seja um ‘facebolha’!


“A lógica computacional é binária, só permite dois estados possíveis, zero ou um, ligado ou desligado, e essa característica parece estar refletindo nas pessoas, a polarização de comportamentos.”

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Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas (CC BY-NC 2.0)

Seu Facebook parece ideal? Tudo na sua timeline agrada? Pessoas com opiniões e posições políticas e ideológicas contrárias as suas praticamente desapareceram da sua vida virtual? As notícias que chegam sempre trazem a sensação de que você tem as melhores opiniões? Lamente por isso, pois você foi capturado, isolado e aprisionado pelo EdgeRank, o algoritmo-bolha do Facebook que tem a pretensão de tornar sua vida digital sempre um mar de rosas, feliz e sem estresse com pensamentos divergentes.

Um algoritmo lógico é basicamente um passo-a-passo da realização de uma tarefa, uma receita escrita em linguagens de programação específicas para programas de computadores, para que estes possam lê-la. Todas as tarefas realizadas em um computador são algoritmos, acionados quando recebem um comando, por exemplo, um clique no mouse do computador. Para realizar a tarefa, ele utiliza alguns elementos de programação, que são instruções do que deve ser feito. Alguns desses elementos são: variáveis, argumentos e funções. São as ferramentas que podem levar o usuário à bolha da rede social de Mark Zuckerberg.

O primeiro elemento, a variável, cujo nome é sugestivo, pode mudar seu estado a qualquer momento, de acordo com a informação recebida. Caso receba a informação de um clique de um usuário em uma notícia com determinada posição política, por exemplo, isso ficará armazenado. Se um novo clique for dado em outra notícia com posição política diferente, a variável mudará para armazenar essa nova informação. Tais informações servirão como base para o algoritmo selecionar o conteúdo que mais agrada ao usuário.

O segundo elemento, os argumentos, são as informações de entrada do algoritmo, ou seja, tudo aquilo que o usuário acessa na rede social. Uma curtida em determinado conteúdo, uma exclusão ou ocultação, reações de humor, pessoas que deixou de seguir, etc. Tudo que você clica é armazenado pelo EdgeRank, que usará essas informações para postar na sua timeline somente conteúdo que supostamente lhe faça mais feliz.

As funções, o terceiro elemento da nossa lista, são as ferramentas mais poderosas do filtro-bolha de Zuckerberg, pois são elas que realizam as tarefas que aprisionam o usuário em um “mundo de fantasias”, não muito real. São subalgoritmos, um conjunto de comandos, que determinam, selecionam e alimentam a timeline com conteúdo baseado nas informações armazenadas nas variáveis. O comando lógico if é usado para tomada de decisões da forma ‘SE isto…ENTÃO aquilo’, dentro de uma função do algoritmo. Então, se o usuário clica em uma notícia de carros, certamente passará a receber notícias só de carro, talvez nunca de motos. O comando for (para) é um loop (ou laço) de repetição, responsável por repetir uma tarefa por um tempo determinado ou continuamente. Exemplo, para um clique em determinado conteúdo, ele pode ser programado para postar na timeline somente assuntos daquele conteúdo, nunca um assunto divergente. Não por acaso, esses comandos são chamados de comando de controle de fluxo.

Enfim, existem outros comandos, mas esses exemplos bastam para mostrar como o Facebook encapsula o usuário e como não ser aprisionado dentro dessa bolha. A lógica computacional é binária, só permite dois estados possíveis, zero ou um, ligado ou desligado, e essa característica parece estar refletindo nas pessoas, a polarização de comportamentos. Algumas medidas podem ajudar a tornar seu mundo mais real. Talvez menos feliz e tranquilo, porém com visões mais abrangentes do mundo e de sua diversidade. Comece “enganando” o algoritmo-bolha, clique em conteúdo diversificado, não somente naqueles que te agradam e pensam como você, ou não clique em nenhum, pelo menos por um determinado tempo. Após isso, volte a seguir as pessoas que você isolou por defenderem ideias contrárias ou diferentes das suas. Em seguida, curta páginas que divergem de você. Por último, haja com tolerância em relação às diferenças, pois isso guiará todas as suas futuras decisões, desde um simples clique até um rompimento social com um amigo.

Seja um facebooker, mas não seja um ‘facebolha’. Dialogue com o mundo!


Sobre o autor desse artigo

Osmar Carvalho é engenheiro eletricista, membro da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo.

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